Aos 40 anos, Vozinha não descarta disputar a Copa do Mundo de 2030

Goleiro de 40 anos comenta impacto da histórica campanha de Cabo Verde, fala sobre aposentadoria e não descarta disputar mais uma Copa do Mundo

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“Minha vida virou do avesso. Foi uma coisa extraordinária o que se passou na Copa do Mundo. Agora, todos conhecem o nosso futebol, o nosso Cabo Verde, o nosso povo. São pessoas lutadoras, que nunca desistem.”

Foi assim que o goleiro Vozinha resumiu as mudanças provocadas pela participação de Cabo Verde na Copa do Mundo. Aos 40 anos, o jogador participou por vídeo, nesta quinta-feira (6), de um painel no Rio Innovation Week 2026 e falou sobre a repercussão do torneio, o futuro da carreira e a possibilidade de defender novamente a seleção em 2030.

Josimar Évora Dias, conhecido como Vozinha, ganhou projeção durante a campanha da seleção cabo-verdiana e viu sua popularidade crescer nas redes sociais. Durante o encontro, que reuniu a jornalista Bárbara Coelho, o ex-goleiro Getúlio Vargas e o cofundador da plataforma Innovation Week, Fábio Queiroz, o atleta relembrou momentos da competição e os impactos da participação no torneio para Cabo Verde.

Bárbara Coelho também comentou a repercussão da entrevista que fez com o jogador durante a Copa. “As pessoas me param na rua e perguntam se sou a repórter que entrevistou o Vozinha”, contou.

Vozinha pode jogar a Copa de 2030?

Questionado sobre a possibilidade de disputar a Copa do Mundo de 2030, quando estará com 44 anos, Vozinha afirmou que ainda não tomou uma decisão. O goleiro revelou que já chegou a conversar sobre deixar a seleção, mas admitiu que o desempenho recente mudou seus planos.

“Sinceramente, não sei. Já estou na seleção há muito tempo e já conversei com o mister, tivemos uma conversa sobre parar. Depois do que aconteceu na Copa, temos que ponderar muito bem, conversar e ver como meu corpo vai estar. Se eu estiver jogando daqui a quatro anos, representar a seleção do meu país é algo a que não posso dar as costas. Quem sabe? Vozinha pode estar aí”, afirmou.

O jogador também citou os avanços tecnológicos e os cuidados com alimentação e sono como fatores que ajudam a prolongar a carreira dos atletas profissionais.

Mesmo quando deixar os gramados, Vozinha pretende permanecer ligado ao esporte.

“Mesmo após a carreira futebolística, pretendo continuar no meio esportivo. Acho que é mais que jogar: podemos inspirar jovens, idosos, diferentes gerações”, disse.

Relação com o futebol brasileiro

A relação de Vozinha com o Brasil também ocupou parte da conversa. Entre suas referências na posição, o goleiro citou Dida, Taffarel e Rogério Ceni, além de nomes como Ederson, Alisson, Júlio César e Diego Alves.

O cabo-verdiano ainda destacou a longevidade de Fábio, goleiro do Fluminense, que segue atuando profissionalmente aos 45 anos.

Vozinha também falou sobre a possibilidade de disputar a Libertadores na próxima temporada pelo Colo-Colo, seu novo clube.

“Espero disputar a Libertadores no ano que vem, com o Colo-Colo, um gigante do continente e meu novo clube. Tenho uma dívida com o Brasil e com o povo brasileiro”, afirmou, ao agradecer o apoio que recebeu dos torcedores brasileiros e o crescimento de sua presença nas redes sociais.

De Roberto Carlos a Ivete Sangalo

Fora dos gramados, Vozinha revelou uma relação antiga com a cultura brasileira. Fã de novelas, o jogador destacou semelhanças entre Brasil e Cabo Verde e falou sobre suas referências musicais.

Ele contou sobre a paixão da avó por Roberto Carlos e citou Ivete Sangalo, Cidade Negra e Seu Jorge, que também participou do Rio Innovation Week, entre os artistas brasileiros que acompanha.

O goleiro aproveitou o painel para destacar ainda a produção cultural de Cabo Verde e o efeito que a participação em uma Copa do Mundo pode provocar para além do futebol, ampliando a visibilidade internacional do país e contribuindo para setores como turismo e economia.

Ao relembrar a campanha no Mundial, Vozinha elegeu as defesas em finalizações de Lionel Messi entre os momentos mais marcantes de sua participação e afirmou que Cabo Verde entrou na competição preparado para enfrentar seleções tradicionais, como Espanha, Uruguai e Argentina.

“Foi a nossa melhor experiência em termos esportivos. Há muito tempo lutamos para chegar ao maior palco do mundo. Muita gente não conhecia Cabo Verde, e hoje todo mundo sabe. Para nós, isso foi o mais importante. Sempre que entramos em campo, carregamos nosso povo, nosso país, nossa cultura. E buscamos honrar a nossa bandeira”, concluiu.

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