Web Summit Rio revela as tecnologias que podem transformar a América Latina

Relatório analisou empresas presentes no Web Summit Rio 2026 e aponta crescimento da inteligência artificial, concentração de mercado e novos setores promissores

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A inovação na América Latina está cada vez mais concentrada em áreas ligadas à tecnologia, especialmente inteligência artificial. É o que mostra o relatório “O Mapa da Inovação na América Latina“, elaborado pela consultoria IMMA – Inteligência Antecipatória a partir da análise de 1.391 startups que participaram do Web Summit Rio 2026.

O estudo buscou traçar um panorama do ecossistema de inovação da região, avaliando categorias de atuação, estágio de maturidade dos negócios, potencial de crescimento e capacidade das empresas de se adaptarem às transformações futuras.

Das 1.572 startups presentes na edição de 2026 do evento, a IMMA selecionou aquelas que possuíam informações verificáveis em fontes públicas. A partir dessa base, a consultoria identificou padrões e tendências que ajudam a compreender os rumos do empreendedorismo tecnológico latino-americano.

Segundo o futurista e CEO da IMMA, Augusto Carminati, o objetivo foi transformar um grande volume de dados em uma leitura mais clara sobre o momento vivido pelo setor.

“Nosso objetivo foi mostrar onde há concentração, onde os mercados estão amadurecendo e onde começam a surgir sinais mais fortes do que pode ganhar relevância nos próximos anos“, afirma.

Photo by Oisin McHugh/Web Summit via Sportsfile

Inteligência artificial lidera o ecossistema

A análise mostra que a inteligência artificial é atualmente a principal categoria entre as startups avaliadas, com 314 empresas. Na sequência aparecem SaaS (software como serviço), com 215 startups, healthtechs (157) e fintechs (114).

Juntas, essas quatro categorias representam cerca de 57% da base analisada. Quando são consideradas as oito maiores categorias do levantamento, a participação sobe para aproximadamente 75%, indicando um mercado concentrado em poucos segmentos, embora ainda exista espaço para dezenas de nichos especializados.

Setores em diferentes estágios de maturidade

O relatório também identificou diferentes níveis de maturidade entre os setores.

Enquanto a inteligência artificial aparece como um segmento ainda em fase de forte experimentação e expansão, o mercado de SaaS já demonstra sinais de maior consolidação e concorrência elevada. As áreas de saúde digital e tecnologia financeira ocupam uma posição intermediária, passando por um processo gradual de amadurecimento.

Para Carminati, essa diversidade de estágios é um sinal positivo para o ecossistema.

“É como uma floresta com brotos e árvores grandes convivendo ao mesmo tempo. Isso mostra que ainda existem espaços para crescimento ao lado de setores já consolidados“, explica.

Deep techs ainda são minoria

Outro dado destacado pelo levantamento é a baixa presença das chamadas deep techs, startups que trabalham com tecnologias de fronteira e inovação científica mais avançada.

Segundo o estudo, apenas cerca de 5% das empresas analisadas se enquadram nesse perfil. A maioria atua na aplicação de tecnologias já existentes para resolver problemas específicos ou aumentar a eficiência de processos.

Mesmo representando uma parcela pequena do ecossistema, áreas como inteligência artificial agêntica, biotecnologia, genômica, robótica, computação quântica, satélites e soluções de descarbonização aparecem entre os segmentos considerados mais promissores para os próximos anos.

As cleantechs, voltadas para sustentabilidade e redução de impactos ambientais, também foram apontadas como um dos mercados com maior potencial de atração de investimentos.

Capacidade de adaptação pode definir sobrevivência

Além de mapear setores e tecnologias, o relatório avaliou a capacidade das startups de manterem sua relevância ao longo do tempo.

A análise considerou fatores como exposição à concorrência, facilidade de replicação das soluções e risco de obsolescência diante da rápida evolução da inteligência artificial.

Segundo a consultoria, modelos de negócio capazes de criar diferenciais duradouros tendem a apresentar maior potencial de sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo.

Empresas com visão de futuro ganham destaque

Um dos indicadores criados pela IMMA mede o que o estudo chama de “densidade antecipatória”, ou seja, a capacidade das startups de incorporar cenários futuros, sinais de mudança e planejamento estratégico de longo prazo em suas operações.

A maior parte das empresas avaliadas ficou em uma faixa intermediária nesse quesito. No entanto, 311 startups alcançaram pontuações elevadas, demonstrando uma preocupação mais estruturada com tendências futuras e transformação de mercado.

Apenas 15 startups atingiram o nível máximo de antecipação identificado pelo levantamento.

O relatório completo está disponível no site da IMMA e oferece uma radiografia detalhada do atual estágio da inovação latino-americana, destacando os setores que concentram investimentos hoje e aqueles que podem liderar a próxima geração de crescimento tecnológico na região.

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