Vantagens tributárias impulsionam expansão de indústrias brasileiras para o Paraguai

Benefícios tributários, custos operacionais mais baixos e proximidade logística têm levado indústrias brasileiras a expandir parte de suas operações para o país vizinho.

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A expansão de empresas brasileiras para o Paraguai tem ganhado força nos últimos anos, impulsionada por vantagens tributárias, custos operacionais reduzidos e pela integração comercial proporcionada pelo Mercosul.

No centro desse movimento está a chamada Lei de Maquila, legislação paraguaia criada para incentivar a instalação de indústrias voltadas à exportação.

O modelo tem sido adotado por empresas de diferentes setores, especialmente nos segmentos têxtil, alimentício e de autopeças.

Segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, o país possui atualmente mais de 300 empresas operando sob o regime de maquila, sendo aproximadamente 70% delas de origem brasileira.

A legislação permite que empresas instaladas no Paraguai produzam para exportação mediante o pagamento de um tributo único de 1% sobre o valor agregado localmente.

O regime também oferece incentivos para a importação de insumos, máquinas e equipamentos utilizados na produção.

Competitividade e redução de custos

Além da carga tributária reduzida, fatores como energia elétrica mais barata e menores encargos trabalhistas têm contribuído para tornar o Paraguai um destino atrativo para a instalação de unidades industriais.

Para especialistas, o movimento acompanha uma tendência internacional conhecida como “nearshoring”, estratégia adotada por empresas que buscam aproximar suas cadeias produtivas dos mercados consumidores para reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência operacional.

Segundo o advogado especializado em direito empresarial Daniel Cabrera, o Paraguai passou a ocupar uma posição estratégica para empresas brasileiras que desejam ampliar sua competitividade sem se afastar dos principais mercados consumidores da região.

“O Paraguai passou a ocupar uma posição estratégica para empresas brasileiras que desejam ampliar competitividade sem abrir mão da proximidade geográfica e da integração comercial proporcionada pelo Mercosul“, afirma.

Exportações superam US$ 1,3 bilhão

Dados do regime de maquila indicam que as exportações paraguaias realizadas por meio desse modelo ultrapassaram US$ 1,3 bilhão em 2025. O Brasil aparece como o principal destino dos produtos fabricados sob o regime especial.

O crescimento das operações industriais no país vizinho também tem sido favorecido pela integração comercial do Mercosul, que facilita a circulação de mercadorias entre os países-membros quando atendidas as exigências do bloco.

Entre os setores que mais utilizam a Lei de Maquila estão as indústrias de autopeças, alimentos, confecção e produtos têxteis.

Planejamento e segurança jurídica são apontados como desafios

Apesar das vantagens oferecidas pelo regime, especialistas alertam que a internacionalização exige planejamento jurídico, tributário e operacional para evitar riscos futuros.

De acordo com Daniel Cabrera, um dos principais requisitos é demonstrar que a operação instalada no Paraguai possui atividade econômica efetiva e não apenas uma estrutura formal destinada à obtenção de benefícios fiscais.

“A estrutura não pode existir apenas formalmente. É necessário demonstrar operação efetiva, funcionários, cadeia produtiva e substância econômica“, explica.

Na mesma linha, o especialista tributário Fabio Vidigal destaca que a operação deve contar com estrutura societária adequada, documentação consistente, controles de produção e contratos compatíveis com a atividade desenvolvida.

Regras fiscais exigem atenção

Outro ponto de atenção envolve as normas brasileiras de tributação internacional, especialmente as relacionadas a preços de transferência e tributação de lucros obtidos no exterior.

Segundo os especialistas, operações entre empresas do mesmo grupo econômico precisam seguir valores compatíveis com os praticados pelo mercado, além de manter documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a legitimidade das transações.

A legislação paraguaia também exige o cumprimento do chamado “Elemento Paraguaio”, regra que determina que parte relevante do valor agregado da produção seja gerada no próprio país para garantir o acesso aos benefícios previstos pelo regime e às vantagens comerciais do Mercosul.

Para os especialistas, a Lei de Maquila vem sendo utilizada cada vez mais como uma ferramenta de competitividade industrial e expansão regional, mas sua adoção requer planejamento técnico e conformidade regulatória nos dois países.

“A competitividade hoje passa pela capacidade das empresas de estruturar operações mais eficientes sem perder governança. O Paraguai oferece oportunidades relevantes, mas elas precisam ser conduzidas com estratégia, transparência e respaldo jurídico“, conclui Cabrera.

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