Turismo musical ganha força e Rock in Rio 2026 deve movimentar R$ 3,36 bilhões

Viagens motivadas por shows e festivais impulsionam hotéis, companhias aéreas, restaurantes e serviços. Festival terá Foo Fighters, Maroon 5 e Elton John em setembro.

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Viajar para assistir a um artista favorito deixou de ser uma decisão ocasional e passou a influenciar a escolha de destinos, datas e roteiros de férias.

Conhecido internacionalmente como gig tripping, o turismo musical avança no Brasil e encontra no Rio de Janeiro um de seus principais destinos.

O comportamento consiste em organizar uma viagem em torno de shows, festivais e turnês, combinando a experiência musical com hospedagem, gastronomia e visitas a pontos turísticos.

Nesse cenário, o Rock in Rio 2026 surge como um dos principais responsáveis pela movimentação turística prevista para a capital fluminense.

O festival será realizado nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, com mais de 40 apresentações internacionais. Foo Fighters, Maroon 5 e Elton John estão entre as atrações anunciadas.

A organização informa que as vendas de ingressos estão 20% acima do registrado na edição anterior. Outro dado ajuda a dimensionar o impacto sobre o turismo: 55% dos bilhetes foram comprados por pessoas que moram fora do estado do Rio de Janeiro.

O festival deverá movimentar aproximadamente R$ 3,36 bilhões na economia fluminense, segundo estimativa divulgada para a edição de 2026.

O valor considera os gastos de turistas e moradores com passagens, hospedagem, alimentação, transporte, comércio, entretenimento e outros serviços durante os dias de programação.

Shows transformam viagens em experiências completas

O turismo musical vai além do ingresso. Quem viaja para acompanhar um grande evento costuma permanecer no destino por mais de um dia, consumir em bares e restaurantes, visitar atrações turísticas e contratar diferentes serviços.

Essa capacidade de movimentar a economia ficou evidente nos últimos grandes shows realizados no Rio.

O Rock in Rio produz esse efeito distribuído ao longo de sete dias. Em 2024, aproximadamente 420 mil visitantes passaram pela Cidade do Rock, segundo dados divulgados pela organização, com destaque para moradores de São Paulo e Minas Gerais.

Naquele ano, o impacto econômico inicialmente projetado pela Fundação Getulio Vargas era de R$ 2,9 bilhões. Os dados finais apresentados posteriormente pela organização indicaram uma movimentação próxima de R$ 3,2 bilhões.

Fenômeno movimenta bilhões no mundo

O crescimento não é exclusividade brasileira. Em 2024, o Reino Unido recebeu 23,5 milhões de turistas motivados por apresentações musicais, número 22% superior ao do ano anterior.

Em 2025, o país alcançou novo recorde: 24,7 milhões de turistas musicais e 11,2 bilhões de libras movimentadas. As viagens internacionais motivadas por shows cresceram 27%, impulsionadas por turnês como as de Oasis, Coldplay e Beyoncé.

No Brasil, o calendário também se expandiu. O levantamento Mapa dos Festivais registrou 366 festivais de música realizados no país em 2025, demonstrando que o segmento não se limita aos grandes eventos do eixo Rio–São Paulo.

Festivais regionais também podem ampliar a circulação de visitantes e gerar receitas para hotéis, pousadas, restaurantes, transportadoras e pequenos negócios.

O crescimento do turismo musical revela uma mudança no comportamento do viajante: o evento deixa de ser apenas uma atração do roteiro e passa a determinar a própria viagem.

Para os destinos, o desafio é transformar o aumento temporário de público em uma experiência capaz de estimular novas visitas.

Planejamento deve começar antes da viagem

A elevada procura nos períodos de grandes festivais pode provocar aumento das tarifas e redução da disponibilidade de voos e hospedagens. Por isso, especialistas recomendam que o planejamento comece com antecedência.

“Participar de um evento desse porte exige planejamento. Além da organização da viagem, é importante considerar medidas que ajudem a minimizar os impactos de situações inesperadas que podem comprometer a experiência do viajante”, afirma Hugo Reichenbach, sócio e diretor de operações da Real Seguro Viagem.

Cancelamentos e atrasos de voos, problemas de saúde e extravio de bagagens estão entre as ocorrências capazes de comprometer a programação.

“O seguro-viagem funciona como uma camada de proteção financeira e operacional durante toda a jornada. Na prática, ele reduz os impactos de ocorrências que podem gerar prejuízos significativos, desde a impossibilidade de embarque até a perda de um show aguardado há meses”, explica.

Antes da contratação, o viajante deve conferir as condições, os limites e as exclusões da apólice, especialmente quando busca proteção relacionada à perda do evento.

“Alguns planos oferecem coberturas específicas para situações que impeçam a presença no evento, como problemas de saúde ou imprevistos ocorridos durante a viagem. Isso ajuda a evitar perdas financeiras relacionadas aos serviços contratados”, destaca.

Para Reichenbach, a expansão desse tipo de viagem exige maior atenção ao investimento total feito pelo público.

“O turismo musical deixou de ser um nicho para ser uma vertente da indústria do turismo. Quanto maior o investimento em ingressos, passagens e hospedagem, maior também a necessidade de proteção. O seguro-viagem passa a ser parte do planejamento, garantindo mais tranquilidade para que o fã aproveite a experiência sem preocupações”, conclui.

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