A princípio, o sonho de engrossar as fileiras dos mais de 16 877 brasileiros atualmente matriculados em universidades norte-americanas pode ter sido adiado por tempo indeterminado.
Um telegrama diplomático datado de 27 de maio de 2025 e assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio determinou que todas as embaixadas e consulados dos Estados Unidos ao redor do mundo “pausassem imediatamente” o agendamento de novas entrevistas para vistos de estudante (F-1, M-1 e J-1).
O que diz o telegrama
De acordo com o documento obtido por jornalistas de Politico e confirmado por fontes da BBC, a medida tem efeito imediato e valerá “até que novas orientações sejam emitidas”, a fim de preparar o corpo consular para uma ampliação da triagem de redes sociais de todos os candidatos.
Quem já tem entrevista marcada, ainda que provisoriamente, poderá mantê-la; porém, nenhuma vaga nova deve ser aberta nos calendários dos postos consulares.
O que diz o telegrama
De acordo com o documento obtido por jornalistas de Politico e confirmado por fontes da BBC, a medida tem efeito imediato e valerá “até que novas orientações sejam emitidas”, a fim de preparar o corpo consular para uma ampliação da triagem de redes sociais de todos os candidatos. Quem já tem entrevista marcada, ainda que provisoriamente, poderá mantê-la; porém, nenhuma vaga nova deve ser aberta nos calendários dos postos consulares.
Por que agora?
Bem como outras iniciativas recentes da Casa Branca, a suspensão é vista por analistas como parte do embate entre o presidente Donald Trump e universidades de elite, como Harvard e Columbia, acusadas pelo governo de “conivência” com discursos anti-Israel durante protestos pró-Palestina no campus.
Ao mesmo tempo, o Departamento de Estado justifica a pausa pela necessidade de “reforçar a segurança nacional” com checagens mais profundas em perfis digitais. Críticos lembram que estudantes estrangeiros injetaram US$ 40 bilhões na economia norte-americana em 2024 e respondem por parcela decisiva da pesquisa científica no país – acima de tudo nas áreas de STEM.
Impacto para o Brasil
Segundo o relatório Open Doors 2024, o Brasil ocupa hoje o 9.º lugar entre os países que mais enviam alunos aos EUA, saltando de 16 025 para 16 877 matriculados em um ano. Estados como Flórida, Califórnia, Nova York e Massachusetts concentram a maioria desses estudantes. CNN Brasil
Além disso, agências de intercâmbio estimam que quase 5 000 candidatos brasileiros planejavam iniciar cursos de graduação ou pós em agosto de 2025. Com a suspensão, vistos que normalmente levam 60 a 90 dias para serem emitidos podem não chegar a tempo do semestre de outono (fall semester).
“As famílias já investiram em provas, traduções e taxas escolares. Paralisar o processo agora gera prejuízos financeiros e emocionais”, alerta Simone Ferreira, orientadora do EducationUSA, em entrevista à CNN Brasil.
Reação das universidades
Apesar disso, associações como a NAFSA e a American Council on Education publicaram notas pedindo a revogação imediata da ordem, citando a “erosão da confiança” entre os EUA e a comunidade acadêmica global. Harvard, que recentemente teve US$ 2,65 bilhões em verbas federais congeladas, classificou o ato como “mais um ataque à liberdade acadêmica”.
O que esperar a seguir
- Janela de recursos: Organizações estudantis planejam acionar a Justiça federal, a fim de obter liminares semelhantes às que bloquearam, em abril, a tentativa de barrar matrículas de estrangeiros em Harvard.
- Rotas alternativas: Assim como em 2020, consultores relatam aumento das buscas por destinos alternativos, a saber, Canadá, Reino Unido e Austrália.
- Orientação oficial: O Departamento de Estado promete novas diretrizes “nos próximos dias”, mas não definiu prazo para retomar os agendamentos.
Assim sendo, especialistas recomendam que candidatos mantenham a documentação pronta e acompanhem os comunicados do consulado norte-americano em São Paulo, responsável por mais de 70 % dos vistos de estudante emitidos no país.
Em última análise, a pausa reforça o clima de incerteza para quem sonha com um diploma internacional. Enquanto a disputa política permanece, milhares de brasileiros ficam à espera de um sinal verde que redefinirá – ou adiará – seus planos acadêmicos além-mar.


