Startup brasileira aposta em metodologia científica para ampliar acesso a fundos internacionais de ESG

Validada pelo Instituto de Energia e Ambiente da USP, solução da Verax ESG busca alinhar empresas brasileiras às exigências regulatórias internacionais para emissão de títulos verdes.

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O crescimento dos investimentos voltados à sustentabilidade tem impulsionado o desenvolvimento de novas soluções para atender às exigências do mercado internacional. De olho nesse cenário, a startup brasileira Verax ESG lançou uma plataforma que utiliza metodologia científica para apoiar empresas na adequação aos padrões internacionais exigidos por investidores e emissores de títulos verdes.

Segundo a empresa, os fundos de investimento ligados a ativos ambientais movimentaram mais de R$ 60 bilhões na economia brasileira em 2025. A expectativa é que esse volume continue crescendo em 2026, especialmente em segmentos como energia e infraestrutura.

A plataforma foi desenvolvida para automatizar processos relacionados à emissão de green bonds (títulos verdes), além de integrar indicadores de sustentabilidade às normas do Conselho Internacional de Normas de Sustentabilidade (ISSB) e aos critérios da Regulamentação Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), considerados referências para parte dos investimentos internacionais em ESG.

A metodologia adotada pela empresa recebeu validação científica do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), etapa que, segundo os fundadores, foi determinante para levar o projeto ao mercado.

“Antes de convencer os empresários, tivemos que provar nossa tese no mundo acadêmico”, afirma Rodrigo Brandão Fontoura, pesquisador, advogado, professor da FGV, Ibmec e PUC-Campinas e um dos sócios fundadores da Verax ESG.

Crédito da foto: Acervo Verax ESG – registro da pesquisa que originou a metodologia ESG×.

Modelo amplia critérios tradicionais do ESG

O diferencial da metodologia está na proposta de ampliar os critérios tradicionalmente utilizados na avaliação ESG. Além dos pilares ambiental, social e de governança, o modelo incorpora quatro dimensões consideradas estratégicas para análise dos projetos:

  • Gestão de riscos;
  • Compliance regulatório;
  • Cultura de integridade;
  • Inovação tecnológica.

A empresa denomina essa estrutura de “Cubo de Transversalidade”, que busca integrar sustentabilidade, gestão de riscos e conformidade regulatória em um único modelo de avaliação.

Segundo Tarciso Nogueira, sócio fundador e Head de Produtos Sustentáveis da Verax ESG, o objetivo é transformar a sustentabilidade em um fator de geração de valor para empresas que buscam captar recursos internacionais.

“Com o ESG×, transformamos a sustentabilidade de um centro de custos ou mero discurso de marketing em um ativo financeiro tangível, capaz de atrair o investidor internacional mais exigente e proteger a infraestrutura do país”, afirma.

Energia concentra primeiras aplicações

A plataforma já está sendo utilizada em projetos ligados ao agronegócio, mobilidade urbana e, principalmente, à transição energética, setor que serviu de base para o desenvolvimento da metodologia.

De acordo com a empresa, aproximadamente 60% da energia distribuída no Brasil é operada pela iniciativa privada, atendendo cerca de 71% dos consumidores do país. Para a Verax ESG, esse cenário reforça a necessidade de mecanismos que facilitem a comprovação de indicadores ambientais, sociais e de governança para ampliar o acesso ao capital internacional.

“A atração de recursos depende da capacidade de demonstrar sustentabilidade por meio de dados, indicadores de desempenho e informações auditáveis”, conclui Tarciso Nogueira.

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