A startup indiana GalaxEye recebeu uma patente nos Estados Unidos para uma tecnologia de imagens de satélite capaz de observar a superfície terrestre durante a noite e mesmo sob cobertura de nuvens.
O sistema combina sensores ópticos e radar e poderá ser usado em áreas como agricultura, seguros, segurança e monitoramento de desastres naturais.
A empresa pretende aplicar a tecnologia em uma constelação de 30 satélites prevista para ser colocada em órbita nos próximos cinco anos.
Como um satélite consegue enxergar através das nuvens?
O segredo está na combinação de duas tecnologias.
Câmeras ópticas funcionam de maneira semelhante às câmeras tradicionais: captam a luz refletida pela superfície e conseguem produzir imagens visualmente detalhadas.
O problema aparece quando uma nuvem bloqueia essa visão ou quando não há iluminação suficiente.
O radar trabalha de maneira diferente.
Ele envia sinais em direção à superfície e analisa o retorno dessas ondas. Determinadas frequências conseguem atravessar nuvens, permitindo coletar informações mesmo em condições meteorológicas adversas e durante a noite.
A proposta da GalaxEye é utilizar os dois sistemas de maneira sincronizada.
Assim, dados ópticos e de radar são coletados simultaneamente e permanecem alinhados geograficamente.
Por que combinar as duas imagens?
Cada tecnologia oferece informações diferentes.
A imagem óptica facilita a interpretação visual e permite identificar características da superfície de maneira semelhante a uma fotografia.
O radar acrescenta informações estruturais e consegue operar quando as condições impedem uma boa observação óptica.
Quando os registros são feitos em momentos diferentes, entretanto, alguma coisa pode ter mudado entre uma passagem e outra do satélite.
A sincronização tenta resolver esse problema ao produzir os dois conjuntos de dados ao mesmo tempo.
Tecnologia pode ajudar agricultura e monitoramento de desastres
A capacidade de observar uma região independentemente do clima abre diferentes aplicações comerciais.
Na agricultura, imagens mais frequentes podem ajudar no acompanhamento das plantações e das condições do solo.
Seguradoras podem utilizar informações de satélite para avaliar áreas afetadas por eventos climáticos.
Em situações de enchentes e outros desastres, a capacidade de obter informações mesmo com forte cobertura de nuvens pode ajudar a acompanhar regiões onde imagens ópticas convencionais encontram dificuldades.
Embora a tecnologia tenha sido desenvolvida na Índia, essas aplicações também são particularmente relevantes para países como o Brasil, que possui um território continental e grandes áreas agrícolas e florestais.
GalaxEye quer colocar 30 satélites em órbita
A empresa planeja construir uma constelação de 30 satélites nos próximos cinco anos.
Fundada por engenheiros do Indian Institute of Technology Madras, a GalaxEye já levantou aproximadamente US$ 21 milhões.
A companhia também adquiriu recentemente a StarOps, empresa de Bengaluru especializada em engenharia e fabricação de sistemas espaciais.
A estratégia é aumentar internamente a capacidade de desenvolver e fabricar os equipamentos necessários para a expansão da constelação.
Mercado de imagens da Terra está crescendo
Existe uma razão comercial para a corrida.
Estimativas citadas pela Reuters apontam que o mercado global de dados de observação da Terra pode passar de US$ 6,55 bilhões em 2024 para US$ 20,15 bilhões em 2033.
Satélites já são utilizados para acompanhar agricultura, mudanças ambientais, infraestrutura, desastres naturais, segurança e diferentes atividades econômicas.
Quanto maior a frequência e a qualidade das imagens, maior também o valor dessas informações.
A disputa, portanto, não é apenas para colocar mais satélites no espaço.
Empresas querem conseguir observar a Terra com maior frequência e superar limitações que ainda impedem a coleta contínua de dados.
A tecnologia patenteada pela GalaxEye tenta justamente resolver uma delas: continuar enxergando o que acontece no solo quando as nuvens ou a escuridão impedem que uma câmera convencional faça o mesmo trabalho.


