Rock in Rio 2026 chega ao fim marcado por despedidas, estreias e grandes encontros 

Da despedida de Elton John à estreia do K-pop, festival reuniu diferentes gerações e estilos musicais durante sete dias na Cidade do Rock

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Depois de sete dias de música, encontros e momentos que rapidamente ultrapassaram os limites da Cidade do Rock, o Rock in Rio 2026 chegou ao fim neste domingo (13). A 11ª edição brasileira do festival reuniu mais de 700 mil pessoas e apostou novamente na mistura de gêneros que, há anos, transformou o evento em um dos principais festivais de música do país. Entre os dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, rock, pop, música eletrônica, música brasileira, ritmos latinos e K-pop dividiram espaço nos palcos do Parque Olímpico. 

Mais do que uma sequência de grandes apresentações, a edição de 2026 foi marcada por momentos simbólicos. Houve despedidas de artistas históricos, reencontros com o público brasileiro, estreias importantes para o festival, participações especiais e apresentações que mostraram como a relação entre o público e a música continua mudando. 

A abertura do evento ficou por conta do Foo Fighters, que retornou ao Rock in Rio em uma apresentação carregada de significado. A banda apresentou seu novo baterista e revisitou sucessos de sua carreira, enquanto a lembrança de Taylor Hawkins, morto em 2022, esteve presente na noite. A homenagem reforçou a relação construída entre o grupo e o público brasileiro ao longo dos anos. 

Show de abertura do Foo Fighters reprodução/@rockinrio

O primeiro fim de semana também teve espaço para diferentes vertentes do rock. Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold representaram o lado mais pesado do gênero, enquanto Machine Gun Kelly, Sepultura e outros nomes movimentaram a programação. A chuva, entretanto, apareceu como uma das personagens da edição e chegou a prejudicar algumas apresentações. 

Calvin Harris transforma a Cidade do Rock em pista de dança 

A diversidade musical do festival ficou ainda mais evidente quando Calvin Harris assumiu o Palco Mundo. O DJ foi o responsável por um dos momentos mais dançantes da primeira parte da edição, transformando a Cidade do Rock em uma grande pista de música eletrônica. 

Calvin Harris dando o seu show Reprodução/@rockinrio

A presença do artista também reforçou uma característica que acompanha o Rock in Rio há anos: apesar do nome, o festival deixou de ser exclusivamente sobre rock. Ao longo das edições, gêneros diferentes passaram a ocupar os principais palcos, acompanhando as transformações da indústria musical e dos hábitos do público. 

Elton John e Gilberto Gil protagonizam uma noite histórica 

Entre todos os shows da edição, a noite de 7 de setembro talvez tenha sido a que mais carregou simbolismo. De um lado, Gilberto Gil, um dos nomes fundamentais da música brasileira. Do outro, Elton John, uma das maiores estrelas da música internacional. 

Gilberto Gil levou sua história para o Palco Mundo em uma apresentação que reuniu diferentes gerações. O cantor, compositor e ex-ministro da Cultura voltou a mostrar por que sua obra ultrapassa as fronteiras da MPB e permanece presente no imaginário brasileiro. 

Mas foi Elton John quem transformou a noite em um dos momentos mais emocionantes do festival. O britânico, que havia se afastado das grandes turnês, abriu uma exceção para se apresentar no Rock in Rio e fazer uma despedida do público brasileiro. O repertório revisitou diferentes fases de sua carreira e reuniu clássicos que fazem parte da memória musical de várias gerações. 

Sir Elton John encerrando a noite no festival Reprodução/@rockinrio

A apresentação também teve um significado especial por representar uma despedida. Ao cantar músicas como “Rocket Man” e “Your Song”, Elton não estava apenas apresentando seus maiores sucessos: estava revisitando décadas de uma carreira que atravessou gerações e continentes. 

Nos bastidores, a passagem pelo festival ainda rendeu um encontro entre Elton John e Jão. O brasileiro havia feito um cover do artista e acabou sendo chamado para conversar com ele, experiência que descreveu como especialmente marcante. 

O K-pop chega oficialmente ao Rock in Rio 

Se Elton John representou a memória da música internacional, o K-pop simbolizou uma das maiores mudanças da edição. 

Pela primeira vez, o Rock in Rio dedicou um dia inteiro ao gênero sul-coreano. A programação contou com NEXZ, Hwasa e Stray Kids, levando para a Cidade do Rock uma parcela de um público jovem que tem uma relação diferente com os artistas: além das músicas, os fãs acompanham coreografias, conteúdos nas redes sociais, fandoms e toda uma cultura que se desenvolveu ao redor dos grupos. 

O encerramento da noite ficou por conta do Stray Kids, que realizou um dos shows mais concorridos da edição. O grupo apresentou sucessos como “S-Class”, “Maniac”, “Thunderous” e “God’s Menu”, além de fazer uma referência ao Brasil ao incluir um trecho de “Ai, Se Eu Te Pego” na apresentação. 

A noite também evidenciou alguns desafios. A concentração de fãs próximo ao Palco Mundo fez com que a organização precisasse emitir um alerta de segurança antes do show de Hwasa. O público foi orientado a dar alguns passos para trás devido à aglomeração. 

Ainda assim, a estreia do K-pop mostrou a força que o gênero alcançou no Brasil e representou uma tentativa do festival de dialogar diretamente com uma nova geração de fãs. 

Demi Lovato, Pabllo Vittar e Maroon 5 agitam o segundo fim de semana 

O sábado (12) foi dedicado principalmente ao pop. Demi Lovato levou para o Palco Mundo músicas de diferentes momentos de sua carreira e mostrou que sua relação com o público brasileiro continua forte. 

O grande momento da apresentação aconteceu quando Pabllo Vittar apareceu como convidada. As duas dividiram o palco e levaram o público à euforia, transformando a participação em um dos momentos mais comentados da noite. 

Na sequência, o Maroon 5 encerrou a programação do Palco Mundo com uma apresentação baseada nos grandes sucessos da banda. “Sugar”, “She Will Be Loved” e “Moves Like Jagger” estiveram entre as músicas que fizeram a plateia cantar junto com Adam Levine. 

A noite também mostrou a variedade de ritmos que o festival procura reunir. João Gomes levou elementos da cultura pernambucana para a Cidade do Rock, enquanto Pedro Sampaio representou a mistura entre funk e música eletrônica. J Balvin, por sua vez, colocou o reggaeton no centro da programação. 

J Balvin aproxima música latina e brasileira 

A apresentação de J Balvin também foi marcada por participações brasileiras. O colombiano dividiu o palco com artistas nacionais, entre eles Pedro Sampaio e Melody, reforçando a aproximação entre o reggaeton e os ritmos brasileiros. 

O show representa uma transformação importante no próprio conceito de música pop no Brasil. Se antes os grandes festivais eram dominados principalmente por artistas norte-americanos e britânicos, atualmente a música latina ocupa um espaço cada vez maior no mercado mundial — e o público brasileiro acompanha esse movimento. 

A chuva encerra o festival 

Muita chuva na abertura do Palco Mundo durante o show da Ivete Sangalo (Foto N4 News/ Bruno Bastos)

No último dia, a chuva voltou a marcar presença. Mesmo com o mau tempo e uma quantidade menor de pessoas em alguns momentos, artistas como Zara Larsson mantiveram a energia da Cidade do Rock. 

O encerramento do Palco Mundo ficou por conta do Twenty One Pilots. Tyler Joseph e Josh Dun fizeram uma apresentação marcada pela interação com o público e pela disposição de manter o espetáculo mesmo debaixo de chuva. Em um dos momentos mais curiosos da noite, Dun chegou a subir em uma pilastra para tocar bateria durante a tempestade. 

A imagem acabou funcionando quase como uma síntese do festival: mesmo diante das dificuldades, o espetáculo precisava continuar. 

Um festival entre a nostalgia e a renovação 

O Rock in Rio 2026 terminou equilibrando duas forças. De um lado, nomes que fazem parte da história da música, como Elton John, Gilberto Gil e Foo Fighters. Do outro, artistas que representam novas formas de consumir música, como Stray Kids, Hwasa e NEXZ. 

A edição também não passou sem críticas. A repetição de artistas que já haviam se apresentado recentemente no Brasil, a chuva e a menor capacidade de algumas atrações de mobilizar o público fizeram com que o festival fosse alvo de questionamentos sobre a necessidade de renovação do formato. 

Ao mesmo tempo, artistas brasileiros tiveram espaço para mostrar a diversidade da produção nacional. Ivete Sangalo, João Gomes, Daniela Mercury, Criolo, Gilsons, Olodum e outros nomes ajudaram a construir uma programação que foi muito além do rock. 

No fim, o Rock in Rio 2026 deixou como principal marca justamente essa mistura. Foi um festival de despedidas, como a de Elton John; de homenagens, como a lembrança de Taylor Hawkins; de estreias, como a chegada oficial do K-pop; e de encontros entre artistas de diferentes gerações e estilos. 

A próxima edição brasileira já está confirmada para setembro de 2028. Depois de uma edição que tentou equilibrar tradição e novidades, o festival terá dois anos para decidir quais caminhos seguir para continuar ocupando um lugar de destaque no calendário cultural do país. 

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