Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 827 milhões

Dona das redes Ri Happy e PBKids busca reorganizar suas finanças menos de dois meses após mudar de controle. Empresa afirma que lojas e vendas online continuarão funcionando normalmente.

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O Grupo Ri Happy, uma das maiores redes de lojas de brinquedos do Brasil, apresentou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 827,4 milhões em dívidas. A solicitação foi protocolada na Justiça de São Paulo no domingo (18) e divulgada nesta segunda-feira (19), menos de dois meses após a mudança de controle da companhia.

O processo envolve seis empresas do grupo, incluindo a PBKids, e faz parte de uma estratégia de reestruturação financeira conduzida pela nova administração. Segundo informações divulgadas pela imprensa com base no pedido judicial, credores responsáveis por R$ 308,8 milhões já aderiram à renegociação.

Apesar das dificuldades financeiras, a empresa afirma que as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda continuarão operando normalmente, inclusive durante os preparativos para a Black Friday e o Natal, períodos importantes para o varejo de brinquedos.

Por que a Ri Happy pediu recuperação extrajudicial?

No pedido apresentado à Justiça, o grupo aponta uma combinação de fatores que comprometeram sua capacidade de pagamento.

Entre os principais problemas estão os juros elevados, a redução do poder de compra das famílias, o endividamento dos consumidores e o aumento da concorrência no comércio eletrônico.

A companhia também menciona os efeitos acumulados da pandemia de Covid-19, quando as restrições ao funcionamento das lojas físicas afetaram o setor.

Outro fator destacado é a concorrência de plataformas internacionais, como Shopee e AliExpress, que ampliaram a oferta de produtos importados a preços competitivos.

O grupo afirma ainda que dificuldades em uma renegociação de dívidas bancárias realizada em 2023 contribuíram para agravar sua situação financeira.

A estratégia atual busca reorganizar os pagamentos, preservar recursos para a operação e estabelecer condições consideradas mais sustentáveis para a continuidade do negócio.

Lojas da Ri Happy e PBKids vão fechar?

Até o momento, a empresa não anunciou um plano de fechamento de lojas em decorrência do pedido de recuperação extrajudicial.

Em comunicado, a Ri Happy informou que suas operações permanecem funcionando normalmente e que as equipes seguem concentradas nas vendas do último trimestre do ano.

A companhia também mantém o planejamento comercial para a Black Friday e o Natal.

Isso significa que, por enquanto, os consumidores podem continuar comprando nas lojas físicas e nos canais digitais das marcas. A empresa não anunciou mudanças nas condições de compra, entrega ou atendimento relacionadas ao processo.

A continuidade das operações, entretanto, dependerá da execução da reestruturação financeira e da capacidade de cumprir os compromissos assumidos.

O que é recuperação extrajudicial?

A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a empresas com dificuldades financeiras negociar diretamente com determinados credores novas condições para o pagamento de dívidas.

Diferentemente da recuperação judicial, o processo não exige que todas as obrigações da companhia sejam incluídas no mesmo plano.

A empresa negocia um acordo com os credores abrangidos e solicita sua homologação à Justiça. Quando atendidos os requisitos legais, o plano pode produzir efeitos também sobre determinados credores que não aderiram inicialmente.

O objetivo é reorganizar as dívidas e permitir a continuidade das atividades empresariais.

O pedido de recuperação extrajudicial não significa que a empresa decretou falência. Também não representa, por si só, o encerramento de suas lojas.

No caso da Ri Happy, a Justiça ainda precisa analisar o plano apresentado.

Empresa mudou de dono em agosto

A reestruturação ocorre apenas 48 dias após a aquisição do Grupo Ri Happy pela BluSun Capital Partners, anunciada em 31 de agosto.

A operação transferiu 100% do controle da varejista para a companhia brasileira de capital fechado. O valor da aquisição não foi divulgado.

Com a mudança, o executivo Héctor Núñez voltou à presidência da Ri Happy, cargo que já havia ocupado entre 2012 e 2020.

A nova administração iniciou uma série de medidas para melhorar a eficiência operacional, incluindo ajustes nas equipes corporativas, revisão de custos e preparação para uma mudança de sede.

Também foram realizadas alterações na diretoria, com novos responsáveis pelas áreas financeira, comercial, operacional e de tecnologia.

O pedido de recuperação extrajudicial integra esse processo de reorganização iniciado após a mudança de controle.

Ri Happy possui quase 300 lojas no Brasil

Fundada em 1988, a Ri Happy se consolidou como uma das principais redes especializadas em brinquedos e produtos infantis do país.

Em 2012, a companhia adquiriu a PBKids, ampliando sua presença no mercado nacional.

Na época da venda para a BluSun Capital Partners, em agosto de 2026, o grupo possuía 293 lojas, distribuídas entre unidades próprias e franquias.

Desse total, 244 operavam sob a marca Ri Happy e 49 utilizavam a bandeira PBKids.

A empresa também investiu em novos formatos de lojas. Em junho, inaugurou no Shopping Morumbi, em São Paulo, uma unidade da Divertudo, conceito que combina venda de brinquedos e experiências de entretenimento.

Segundo apuração do Estadão, o novo formato apresentou desempenho comercial abaixo das expectativas.

O que acontece agora com a Ri Happy?

A próxima etapa será a análise judicial do pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial.

A companhia deverá buscar a aprovação das condições negociadas com seus credores e executar as medidas de reorganização financeira.

O plano já possui adesão de parte dos credores, mas ainda não havia sido homologado até as informações disponíveis nesta segunda-feira.

A empresa afirma que pretende preservar suas operações e fortalecer as relações com fornecedores, franqueados, administradoras de shopping centers e instituições financeiras.

O desafio será equilibrar o pagamento das dívidas com a manutenção das atividades, especialmente durante a Black Friday e o Natal, quando o varejo de brinquedos registra uma parcela importante de suas vendas anuais.

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