Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Hibou mostra que, entre temas tão distintos quanto canetas emagrecedoras, cobrança de cadeiras nas praias, reality shows e a queda de Nicolás Maduro, predomina entre os brasileiros uma percepção comum: a sensação de abuso, excesso e influência desproporcional de interesses comerciais, midiáticos ou geopolíticos no cotidiano.
O levantamento, realizado com 1.685 pessoas entre 06 e 08 de janeiro, indica que desconfiança e cansaço marcam o início de 2026 no país.
Medicamentos para emagrecer geram alerta público
O uso das chamadas canetas emagrecedoras saiu do consultório e se tornou tendência nas redes sociais. O comportamento preocupa:
• 82% defendem receita médica obrigatória para acesso aos medicamentos;
• 52% conhecem alguém que usou o produto sem acompanhamento, e 9% já utilizaram por conta própria;
• 58% defendem que o uso seja ligado a mudanças de hábitos, como alimentação equilibrada e atividade física.
A influência digital é central neste debate. Para 56%, posts com “antes e depois” impactam a decisão de usar o medicamento. A percepção, no entanto, é de desinformação: 71% acreditam que o brasileiro não entende o contexto clínico, e apenas 4% enxergam informação confiável disponível.
Além disso, 66% afirmam que notícias sobre efeitos colaterais influenciam negativamente a adesão, mesmo com prescrição médica.
SUS e desigualdade entram na discussão
A população não rejeita o uso institucional dos medicamentos, mas exige critérios:
• 59% defendem oferta no SUS apenas em casos graves;
• 30% apoiam ampliação com indicação profissional;
• 38% apontam que o custo elevado limita o impacto no combate à obesidade.
Cobrança por cadeiras e guarda-sóis restringe acesso às praias
O tema praias aparece como outro ponto de tensão. Para 80%, a cobrança elevada pelo aluguel de cadeiras e guarda-sóis restringe o acesso aos espaços públicos.
A prática já marcou a experiência de muitos brasileiros:
• 27% se sentiram coagidos e pagaram;
• 21% foram embora após abordagens abusivas;
• 38% nunca passaram por situação semelhante.
A maioria pede regulação: 50% defendem leis com regras claras e 25% sugerem modelos de uso misto, conciliando quiosques e equipamentos próprios. Apenas 5% acreditam que a cobrança deve ser totalmente livre.
Saturação com o BBB marca o início do ano
O reality show mais famoso do país também enfrenta rejeição:
• 52% não pretendem acompanhar o BBB 26;
• 12% bloquearão conteúdos sobre o programa;
• A ideia das “casas de vidro regionais” não empolga: 21% veem apenas simbolismo e 55% preferem não opinar.
Entre os que seguem interessados, 49% acreditam que o vencedor será uma mulher do grupo Pipoca.
Queda de Maduro divide opiniões; papel dos EUA gera rejeição
No cenário internacional, a remoção de Nicolás Maduro gera posições mistas:
• 51% consideram a saída correta, enquanto 34% discordam;
• 47% desaprovam os métodos dos EUA, contra 39% que concordam.
A maioria vê interesses econômicos na operação:
• 70% apontam o petróleo como principal motivação;
• 33% citam o enfraquecimento da China e da Rússia;
• 27% mencionam reservas de ouro e metais preciosos;
• Apenas 18% acreditam que a defesa da democracia justificou a ação.
Brasileiros rejeitam ideia de hegemonia dos EUA no continente
A relação dos Estados Unidos com a América Latina aparece como foco de desconforto:
• 64% se dizem muito desconfortáveis com a ideia de que os EUA seriam “donos” do hemisfério;
• 53% rejeitam tarifas altas para produtos brasileiros;
• 43% desaprovam ameaças à Colômbia;
• 44% criticam a intenção de comprar a Groenlândia;
• 42% rejeitam renomear o Golfo do México como “Golfo da América”.
Para 54%, a pressão econômica e militar dos EUA representa ameaça à soberania brasileira.
Metodologia
A pesquisa “Atualidades 2026” foi realizada pelo Instituto Hibou entre 06 e 08 de janeiro de 2026, com 1.685 entrevistados maiores de 18 anos, representando as classes ABCDE em todas as regiões do país. As entrevistas foram feitas via painel digital. A margem de erro é de 2,4%.


