A fabricante brasileira Panco recebeu autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para adquirir a marca Nutrella, pertencente ao Grupo Bimbo. A decisão, divulgada em 9 de outubro, representa mais uma etapa da reorganização do mercado nacional de pães industrializados, após a aprovação da compra da Wickbold pela multinacional mexicana.
A venda da Nutrella foi uma das condições estabelecidas pelo Cade para permitir a operação envolvendo Bimbo e Wickbold. O objetivo é evitar uma concentração excessiva de mercado e preservar a concorrência entre fabricantes de pães industrializados.
A Panco apresentou uma proposta de R$ 3 milhões durante a primeira etapa do processo de venda da marca, realizado em julho. Com a autorização do órgão regulador, as empresas poderão avançar nas etapas necessárias para concluir a transferência.
A decisão não significa, por si só, que a aquisição já tenha sido finalizada.
Por que a Bimbo precisa vender a Nutrella?
A exigência está relacionada à aquisição da Wickbold pelo Grupo Bimbo, operação que reúne duas empresas com participação relevante no mercado brasileiro de panificação industrial.
O Cade é responsável por analisar fusões e aquisições que possam reduzir a concorrência entre empresas.
Quando uma operação apresenta riscos de concentração de mercado, o órgão pode estabelecer condições para sua aprovação, como a venda de marcas, unidades de produção ou outros ativos.
No caso da Bimbo e da Wickbold, a alienação da Nutrella busca preservar a existência de concorrentes independentes em determinados segmentos de pães industrializados.
A medida permite que outra fabricante assuma a marca e continue disputando espaço nas prateleiras dos supermercados.
O que muda com a entrada da Panco?
A Panco é uma fabricante brasileira de alimentos com atuação em categorias como pães, bolos, biscoitos e outros produtos de panificação.
A aquisição da Nutrella poderá ampliar seu portfólio e fortalecer sua presença no mercado de pães industrializados.
A marca Nutrella já possui reconhecimento entre consumidores brasileiros, especialmente no segmento de pães de forma e produtos integrais.
Para a Panco, incorporar uma marca estabelecida pode representar uma oportunidade de ampliar a distribuição e alcançar novos públicos sem precisar desenvolver uma identidade comercial do zero.
Entretanto, ainda não foram anunciados detalhes suficientes para determinar como ocorrerão a produção, a distribuição ou a integração dos produtos Nutrella ao portfólio da compradora.
O que está incluído na negociação da Nutrella?
A operação envolve mais do que o direito de utilizar o nome Nutrella.
De acordo com as informações divulgadas pelo Cade sobre o processo de venda, o conjunto de ativos inclui registros de marca, direitos de propriedade intelectual, domínio de internet, inventário de produtos, materiais promocionais, contratos com fornecedores exclusivos, fórmulas e receitas, além de informações comerciais sobre clientes.
A Nutrella foi fundada em 1972, no Rio Grande do Sul, e integra o portfólio do Grupo Bimbo desde 2008. Sua atuação inclui pães de forma, produtos com grãos, bisnagas e bisnaguinhas.
O consumidor poderá perceber mudanças?
A aquisição poderá modificar a concorrência entre fabricantes de pães industrializados, mas ainda não há confirmação de alterações nos preços, nas embalagens ou nas receitas dos produtos Nutrella.
Essas decisões dependerão da conclusão da operação e da estratégia comercial adotada pela Panco.
Para o consumidor, o principal objetivo da intervenção do Cade é preservar alternativas de compra e evitar que uma única empresa concentre participação excessiva em determinados segmentos.
O órgão identificou preocupações concorrenciais especialmente nos mercados de pães de forma com grãos, bisnagas, bisnaguinhas e produtos do tipo tortilha ou wrap.
A transferência da Nutrella para uma fabricante independente faz parte das medidas destinadas a reduzir esses riscos.

