Segundo a Reuters, o McDonald’s está usando inteligência artificial para recomendar preços de produtos do cardápio nos Estados Unidos e em alguns mercados internacionais. O sistema analisa milhões de transações e considera fatores como condições do mercado local e preços praticados por concorrentes.
A ferramenta calcula o que a companhia considera o preço mais adequado para cada produto e restaurante, segundo investigação publicada pela Reuters.
Um dos fatores considerados pelo sistema é uma estimativa de quanto os consumidores atendidos por determinada unidade estão dispostos a pagar.
O McDonald’s afirma, porém, que a inteligência artificial não determina diretamente o preço dos produtos. A decisão final continua sendo dos responsáveis pelos restaurantes.
Como funciona a IA do McDonald’s
O sistema utiliza aprendizado de máquina para analisar dados de aproximadamente 14 mil restaurantes nos Estados Unidos.
Entre as informações consideradas estão o histórico de transações, a reação dos consumidores a mudanças anteriores de preços e valores publicados por concorrentes próximos, como Burger King e Wendy’s.
A tecnologia é operada pela empresa de análise de dados Tiger Analytics e, segundo fontes ouvidas pela Reuters, versões do sistema são utilizadas pelo McDonald’s desde pelo menos 2019.
O objetivo é produzir recomendações específicas para cada restaurante, em vez de estabelecer necessariamente um único preço para toda a rede.
Mesmo Big Mac pode ter preços diferentes
A Reuters encontrou diferenças significativas entre restaurantes próximos.
Em Fresno, na Califórnia, um Big Mac custava US$ 5,69 em uma unidade e US$ 6,89 em outra, localizada a aproximadamente 3,2 quilômetros de distância. A diferença era de cerca de 21%.
A agência, no entanto, não conseguiu determinar se o sistema de inteligência artificial foi responsável por essa diferença específica.
Outros fatores também podem influenciar os preços praticados por diferentes restaurantes.
McDonald’s diz que sistema apenas recomenda valores
O McDonald’s afirma que a ferramenta funciona como um sistema de recomendação e que os franqueados continuam responsáveis por definir os preços de seus restaurantes.
A empresa também rejeita a interpretação de que utiliza a tecnologia para estabelecer preços personalizados para consumidores individuais.
Cinco franqueados ouvidos pela Reuters, entretanto, disseram sentir pressão para seguir as recomendações fornecidas pelas ferramentas de precificação da companhia.
Documentos analisados pela agência também mostram que o McDonald’s acompanha situações nas quais restaurantes adotam preços diferentes dos sugeridos pelo sistema.
Sistema é usado no Brasil?
Até o momento, não há confirmação de que o sistema de recomendação de preços descrito pela Reuters esteja sendo utilizado nos restaurantes do McDonald’s no Brasil.
A investigação identificou a utilização da tecnologia nos Estados Unidos e em alguns mercados internacionais, sem apontar o Brasil entre os países onde a ferramenta opera.
A adoção de inteligência artificial para precificação amplia o uso da tecnologia pelo setor de alimentação e mostra como algoritmos começam a participar também de decisões comerciais relacionadas ao preço pago pelo consumidor.
Fonte: Reuters

