Uma pesquisa global do LinkedIn indica que 54% dos profissionais brasileiros pretendem buscar uma nova oportunidade em 2026, percentual semelhante ao observado em outros países (52%).
O Brasil também registra o maior índice de pessoas que afirmam estar preparadas para essa mudança: 37% dos participantes declaram sentir-se prontos para iniciar uma nova fase profissional.
Apesar da disposição para a mudança, 63% relatam que a busca por emprego ficou mais difícil no último ano. Entre os fatores listados estão o aumento da concorrência (55%) e a percepção de maior rigor nos processos seletivos (50%).
O Diretor Geral do LinkedIn para América Latina e África, Milton Beck, avalia que o cenário atual combina incerteza econômica com transformações nas dinâmicas de carreira:
“A procura por emprego hoje faz parte de uma revisão mais ampla sobre como as pessoas constroem suas trajetórias. Os dados mostram profissionais dispostos a atualizar habilidades e a usar tecnologia em diferentes etapas da carreira. Isso exige que empresas revejam práticas de atração e desenvolvimento de talentos.”
Inteligência artificial impulsiona estratégias profissionais
O levantamento mostra que o Brasil está entre os países com maior uso de ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao mercado de trabalho. Entre os entrevistados:
- 39% já utilizaram ou pretendem utilizar IA para personalizar currículos.
- 35% usam a tecnologia para identificar habilidades compatíveis com vagas.
- 32% recorrem ou planejam recorrer à IA para localizar oportunidades de emprego.
Para 63%, a tecnologia aumenta a confiança durante entrevistas. A IA também é vista como meio de reduzir vieses: 60% acreditam que o uso dessas ferramentas pode padronizar etapas do processo seletivo. Entre profissionais de Recursos Humanos, esse índice sobe para 78%.
Percepção dos processos seletivos: longos e impessoais
Mesmo com maior adoção tecnológica, a experiência do candidato segue como ponto crítico no Brasil. O país lidera globalmente a percepção de processos seletivos longos (77%) e impessoais (60%).
A preocupação com golpes e vagas falsas também é elevada: 70% dos entrevistados temem cair em fraudes durante a busca. Esse índice chega a 74% entre mulheres e 79% entre jovens da geração Z.
Os principais pontos de melhoria apontados pelos profissionais são:
- Maior frequência de feedback após negativas (39%).
- Clareza sobre o uso da IA pelas empresas (29%).
- Garantias de que candidaturas são avaliadas de forma justa e imparcial (28%).
Mudança de carreira e trabalhos mais flexíveis ganham força
A pesquisa identifica uma tendência crescente de diversificação nas formas de trabalho. No Brasil, 49% dos entrevistados afirmam ter migrado do emprego fixo para atividades por projeto, consultoria ou contratos temporários — índice acima da média global (41%).
Entre aqueles que enfrentam maior dificuldade para se recolocar, estratégias de adaptação têm sido adotadas:
- 26% estão aprendendo novas habilidades, incluindo ferramentas de IA.
- 24% atualizaram currículos ou perfis profissionais.
- 24% avaliam retornar a funções já exercidas anteriormente.
Para Beck, esse movimento reflete um redesenho das trajetórias profissionais: “O interesse por formatos mais flexíveis mostra que as pessoas buscam alternativas mais adequadas às suas expectativas. Ao mesmo tempo, quem enfrenta obstáculos no mercado demonstra disposição para rever estratégias e explorar novos caminhos. O objetivo do LinkedIn é fornecer dados e ferramentas que contribuam para decisões mais assertivas.”


