Juros para famílias chegam a 62% ao ano e pressionam orçamento no Brasil

Alta do crédito vem acompanhada de endividamento elevado e aumento da inadimplência

Priorizar nos meus resultados Google

Os juros cobrados das famílias brasileiras chegaram a 62% ao ano em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O avanço reforça a pressão sobre o orçamento doméstico e encarece o acesso ao crédito no país.

O aumento foi influenciado principalmente pelas altas nas taxas do cartão de crédito rotativo, uma das modalidades mais utilizadas pelos consumidores e também uma das mais caras.

Apesar do cenário de juros elevados, o volume total de crédito no Brasil continua em expansão. O montante atingiu R$ 21 trilhões em fevereiro, o equivalente a 163,7% do Produto Interno Bruto (PIB), com crescimento de 11,8% em 12 meses.

Crédito cresce, mas custo aumenta

O estoque de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,1 trilhões, com leve alta no mês. O crédito para famílias foi o principal motor desse crescimento, com aumento de 0,6%, enquanto o crédito para empresas ficou estável.

Linhas como crédito consignado, financiamento de veículos e empréstimos pessoais seguem entre as mais demandadas pelos brasileiros.

No entanto, o custo dessas operações continua subindo. A taxa média geral de juros nas concessões ficou em 33% ao ano, enquanto nas operações com recursos livres chegou a 48,6% ao ano.

Endividamento segue elevado

O impacto dos juros altos já aparece no nível de endividamento das famílias. Atualmente, as dívidas representam 49,7% da renda, indicando que quase metade do ganho mensal dos brasileiros está comprometida.

Além disso, o comprometimento da renda com o pagamento de parcelas chegou a 29,3%, o que reduz a capacidade de consumo e poupança.

Inadimplência em alta

A inadimplência também registrou aumento e atingiu 4,3% em fevereiro. Entre as famílias, o índice é ainda maior, chegando a 5,2%.

No crédito com recursos livres, que inclui modalidades como cartão de crédito e empréstimos pessoais, a inadimplência alcançou 5,5%.

Cenário exige atenção

O conjunto de dados indica um cenário de expansão do crédito, mas com custo elevado para o consumidor. Juros altos, aumento da inadimplência e endividamento crescente tendem a limitar o consumo e impactar a economia nos próximos meses.

Para o consumidor, o momento exige atenção redobrada na contratação de crédito e no controle das finanças, especialmente diante das taxas elevadas praticadas no mercado.

Mais notícias

+
- Publicidade -
- Publicidade -

Veja também