Jane Austen está de volta — e, mais de dois séculos depois de seus primeiros romances chegarem às livrarias, a escritora inglesa continua sendo uma das autoras mais revisitadas pelo cinema e pela televisão. Em 2026, novas versões de Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito chegam às telas, colocando novamente personagens como Elizabeth Bennet, Mr. Darcy, Elinor e Marianne Dashwood no centro da cultura contemporânea.
O movimento ganha força depois das celebrações dos 250 anos do nascimento de Jane Austen, completados em 2025. A data estimulou uma nova onda de homenagens, publicações, eventos e adaptações inspiradas na autora, mostrando que sua obra continua ultrapassando as fronteiras da literatura clássica.
O interesse não está apenas nos romances. Austen criou histórias que discutem temas como amor, casamento, dinheiro, relações familiares, diferenças de classe e o papel das mulheres na sociedade. Questões que pertenciam à Inglaterra do século XIX continuam sendo reinterpretadas no século XXI, permitindo que cada nova adaptação encontre uma maneira própria de conversar com o público atual.
Uma nova “Razão e Sensibilidade”
Entre os lançamentos está Razão e Sensibilidade, nova adaptação do romance publicado originalmente em 1811. A história acompanha as irmãs Elinor e Marianne Dashwood, que precisam lidar com dificuldades financeiras e com as expectativas sociais depois da morte do pai.
As duas representam maneiras diferentes de enxergar o amor e a vida. Elinor é mais racional e reservada, enquanto Marianne é impulsiva e deixa os sentimentos conduzirem suas escolhas. O contraste entre as irmãs está no centro da narrativa.

Dirigido por Georgia Oakley, o novo filme tem Daisy Edgar-Jones como Elinor e Esmé Creed-Miles como Marianne. A produção chega aos cinemas americanos em 16 de outubro de 2026.

Daisy Edgar-Jones e Esmé Creed-Miles na premier em Sidney Reprodução/@senseandsensibilityfilm
A história já possui uma das adaptações mais celebradas do cinema, lançada em 1995, com Emma Thompson, Kate Winslet, Hugh Grant e Alan Rickman. A chegada de uma nova versão, portanto, também representa uma oportunidade de comparar diferentes maneiras de interpretar a mesma obra para públicos de épocas distintas.
“Orgulho e Preconceito” ganha nova geração
Outro clássico de Austen que retorna ao audiovisual é Orgulho e Preconceito. Desta vez, a história será contada em formato de série pela Netflix, com seis episódios.
Emma Corrin interpreta Elizabeth Bennet, enquanto Jack Lowden assume o papel de Mr. Darcy. Olivia Colman vive Mrs. Bennet, e Rufus Sewell interpreta Mr. Bennet.

A trama acompanha Elizabeth e suas quatro irmãs em uma sociedade na qual o casamento está diretamente relacionado à segurança financeira e à posição social das mulheres. A chegada de Mr. Bingley e Mr. Darcy transforma a rotina da família e dá início a uma das histórias de amor mais conhecidas da literatura.
A série estreia em 3 de dezembro de 2026.
De clássico literário a fenômeno da cultura pop
A força de Jane Austen está justamente na capacidade de suas histórias serem reconhecidas mesmo quando são transportadas para outros contextos. Orgulho e Preconceito, por exemplo, já inspirou filmes, séries, peças de teatro e adaptações que modificaram época, cenário e personagens sem abandonar o conflito central criado pela autora.
Essa capacidade de adaptação ajudou a transformar Austen em uma referência que vai muito além da literatura inglesa. Seus personagens aparecem constantemente em novas produções, enquanto frases, figurinos, romances e até comunidades de fãs mantêm seus livros presentes no imaginário popular.

As novas produções também chegam em um momento em que o audiovisual demonstra interesse renovado por obras literárias clássicas. Para o público, revisitar Austen significa encontrar histórias conhecidas apresentadas com novos rostos, novas interpretações e diferentes sensibilidades.
No caso de Jane Austen, porém, existe uma particularidade: seus livros não precisam ser modernizados para parecer atuais. Os conflitos que movem suas personagens — a busca por independência, as expectativas familiares, as relações amorosas e as diferenças sociais — continuam fazendo parte das conversas contemporâneas.
É justamente por isso que, mais de 200 anos depois, Austen continua voltando às telas. Cada geração encontra uma nova maneira de contar suas histórias — e, ao fazê-lo, também encontra uma nova maneira de olhar para a própria sociedade.

