Giovanna Moraes: do underground ao Rock in Rio sem abrir mão da própria identidade

Giovanna Moraes traz críticas à sociedade e mensagens de inspiração em suas músicas e se apresenta no palco Global Village em setembro.

Priorizar nos meus resultados Google

Ainda sem viver exclusivamente da música, mas cada vez mais próxima desse objetivo, Giovanna Moraes, conhecida artisticamente como GGG, segue construindo uma trajetória marcada pela independência, autenticidade e disposição para enfrentar os obstáculos de um mercado ainda dominado por homens.

Em entrevista exclusiva ao N4 News, a cantora e compositora falou sobre a carreira, o processo criativo, os desafios de ser uma artista independente e a expectativa para estrear no Rock in Rio.

Veja também: Rhegia: conheça a banda paraense de heavy metal que vai estrear no Rock in Rio

Apesar de já colecionar apresentações em grandes festivais, Giovanna afirma que ainda se considera uma artista do circuito underground. Segundo ela, a estabilidade financeira continua sendo um dos maiores desafios para quem escolhe viver da música autoral.

“Eu ainda não pago 100% dos meus boletos com a música. Dou aula de inglês e faço outras coisas para ajudar a conta fechar. Hoje já tem mais shows que pagam alguma coisa, estou mais perto do zero a zero, mas viver só da música ainda é um objetivo”, afirmou.

Giovanna Moraes (Foto: Rafael Karelisky/Divulgação)

A artista acredita, porém, que participar de festivais como o Lollapalooza e o Rock in Rio representa um reconhecimento importante e um indicativo de que está no caminho certo.

“Tem shows como o Lollapalooza que trazem mais dinheiro e mais visibilidade. Você começa a perceber que está sendo reconhecida. Se tudo der certo, quem sabe daqui a uns dez anos eu consiga viver só disso.”

Entre suas principais referências estão nomes do rock nacional, como Charlie Brown Jr., Detonautas, NX Zero e CPM 22, além de bandas internacionais como Nirvana e Hole. Ao mesmo tempo, a cantora destaca a influência do pop e do rap feminino na construção de sua identidade musical.

“Eu gosto bastante de pop, adoro Miley Cyrus e também do rap feminino brasileiro, como Duquesa e Nanda Tsunami. Meu trabalho bebe muito dessas fontes.”

Para Giovanna, a autenticidade é o principal elemento de suas composições. Ela conta que nunca teve facilidade para reproduzir músicas de outros artistas, o que acabou fortalecendo sua identidade autoral.

“Eu nunca fui muito boa de fazer cover. Dá mais trabalho tentar imitar alguém do que fazer uma música do meu jeito. Acho que isso ajuda a construir minha personalidade artística.”

O processo criativo acontece de forma espontânea. Frases ou situações do cotidiano são registradas em anotações e áudios até que ganhem um contexto capaz de se transformar em música.

“Uma ideia só vira música quando ela encontra outras ideias e forma uma história. Eu vou anotando frases, sentimentos, situações e, quando tudo faz sentido dentro de um conceito, começo a desenvolver.”

Durante a entrevista, a artista também falou sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na indústria musical. Segundo ela, além da desigualdade de oportunidades, o assédio ainda faz parte da realidade de muitas profissionais.

“O mundo da música ainda é muito um clube do bolinha. São poucos espaços para mulheres e muitas vezes, para tentar entrar em uma cena, parece que esperam que você se relacione com alguém. Eu não quero te pegar, eu quero trabalhar.”

Giovanna contou que procura usar sua experiência para fortalecer outras mulheres que desejam atuar no mercado da música.

“Já conectei mulheres que queriam trabalhar com produção de palco para que elas conseguissem aprender com outras mulheres, sem precisar passar por situações de assédio ou trauma.”

Essas experiências inspiraram o álbum Fama de Chata, no qual a cantora aborda a importância de impor limites e romper com padrões impostos às mulheres.

“Hoje eu sinto que, se eu sou chata por colocar meus limites, então que eu seja chata com orgulho. Chato é quem acha que pode ultrapassar esses limites.”

Ela afirma que grande parte de suas músicas é escrita pensando na adolescente que foi um dia.

“Quero dizer coisas que ninguém falou para mim quando eu estava crescendo. Quando vejo meninas cantando minhas músicas ou dizendo que elas se identificaram, sinto que talvez elas consigam passar por isso de uma forma diferente.”

O reconhecimento conquistado nos grandes festivais ainda surpreende a artista.

“Eu nunca imaginei que uma artista independente conseguiria chegar a esses palcos. É um sinal de que o trabalho está conectando com as pessoas certas.”

A próxima etapa dessa trajetória será o lançamento do álbum Rumo a Tóquio, previsto para chegar próximo ao Rock in Rio. O projeto marca uma nova fase estética e sonora, inspirada no universo asiático, no J-Rock e em elementos eletrônicos.

“Eu queria fazer um álbum com essa estética, misturando rock, pop e elementos eletrônicos. É um projeto mais híbrido do que os anteriores e estou me divertindo muito fazendo.”

Depois de falar sobre independência, autenticidade e os desafios de construir uma carreira autoral, Giovanna resume a própria trajetória em um conselho que, segundo ela, também serve para quem sonha em viver da arte.

“Escute mais a sua voz interna e menos o que os outros acham que você deveria fazer. Se o seu avião está apontado para Tóquio, pode demorar dez anos, mas uma hora você chega lá. O importante é não desistir no meio do caminho.”

Giovanna Moraes (GGG) sobe ao palco Global Village no dia 4 de setembro, durante o Rock in Rio 2026. A apresentação marca um novo capítulo na trajetória da cantora carioca, que chega ao festival levando a autenticidade de suas composições, um repertório que mistura rock, pop e influências do rap, além das canções do novo álbum Rumo a Tóquio.

Saiba tudo sobre o Rock in Rio 2026

Mais notícias

+
- Publicidade -
- Publicidade -

Veja também