Rhegia: conheça a banda paraense de heavy metal que vai estrear no Rock in Rio

Em entrevista exclusiva ao N4 News, integrantes da Rhegia falam sobre a identidade amazônica da banda, o novo álbum e a emoção de estrear no maior festival de música do país.

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Em setembro, a Cidade do Rock receberá uma estreia histórica. Natural de Belém, a Rhegia será a primeira banda de heavy metal do Pará a subir ao palco do Rock in Rio. No dia 5 de setembro, o grupo levará ao Global Village uma sonoridade que mistura riffs pesados, elementos sinfônicos e referências à cultura amazônica, consolidando uma trajetória construída desde 2017.

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Enquanto se prepara para o festival, a banda também vive outro momento importante: o lançamento de The Mirror of Light, álbum que encerra uma trilogia iniciada em 2019 e que transforma mitologia, história e questões ambientais da Amazônia em narrativa musical.

Em entrevista exclusiva ao N4 News, Bianca Palheta (vocal), Saulo Caraveo (guitarra) e Michel Machado (bateria) falaram sobre a construção da identidade da Rhegia, a expectativa para o Rock in Rio e o caminho percorrido até o maior palco da carreira.

Reprodução do Instagram

Heavy metal com identidade amazônica

Representar o Pará no Rock in Rio vai além da realização de um sonho para os integrantes da Rhegia. A apresentação também simboliza um momento importante para a cena do heavy metal produzida no estado.

“A primeira banda de heavy metal do Brasil é daqui do Pará, o Stress. É muito gratificante poder representar toda uma cena da música desse nicho de onde a gente nasceu. Vamos ser a primeira banda do Pará a tocar no maior festival do planeta. Então, além da representatividade, a gente carrega um grande orgulho”, afirma Saulo Caraveo.

Desde a criação da banda, a proposta sempre foi construir uma identidade própria. Em vez de apenas reproduzir influências tradicionais do metal, os músicos decidiram incorporar às composições elementos presentes na cultura amazônica.

“Temos o que nos enquadra numa banda de heavy metal, mas a Rhegia sempre buscou trazer essa identidade nortista, amazônica, tanto nas histórias contadas nas músicas quanto nos arranjos”, explica Bianca Palheta.

Essa influência aparece tanto nas letras quanto na sonoridade da banda. As histórias retratam personagens, lendas e mitos da Amazônia, enquanto os arranjos dialogam com ritmos que fizeram parte da formação musical dos integrantes.

“São histórias e lendas que crescemos ouvindo, fazem parte da nossa identidade histórica e musical. Sob o ponto de vista musical, crescemos ouvindo lambada, guitarrada, lundu e carimbó. Todos esses elementos servem de inspiração e ornamentam o heavy metal da Rhegia.”

Reprodução do Instagram @rhegiaofficial/ Foto: Victor Peixe

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Uma trilogia sobre passado, presente e futuro da Amazônia

Essa identidade também está presente em The Mirror of Light, terceiro álbum da banda e último capítulo de uma trilogia iniciada há quase uma década.

Segundo Saulo, cada trabalho representa um período diferente da história da Amazônia.

“O primeiro trabalho fala da mitologia amazônica. O segundo faz uma viagem ao período da colonização, mostrando as invasões de territórios e os massacres indígenas. Agora, ‘The Mirror of Light’ imagina um futuro catastrófico, com uma Amazônia dominada por máquinas e inteligência artificial, explorando os últimos recursos naturais.”

Para Bianca, o novo disco também convida o público a refletir sobre os impactos do avanço tecnológico.

“Como é esse futuro totalmente tecnológico? Será que ele é realmente saudável para todos? A gente brinca com essa visão de uma Amazônia consumida pela ambição.”

O convite que mudou tudo

A confirmação da participação no Rock in Rio chegou de forma inesperada.

Saulo estava dando aula quando recebeu uma ligação do produtor da banda.

“Quando retornei, ele disse que o pessoal tinha gostado e falou a data. Na hora, nem me atentei. Perguntei qual era o festival. Quando respondeu que era o Rock in Rio, parei e soltei um palavrão (risos). Não consegui mais dar aula direito e fiquei sem dormir até o anúncio oficial.”

Bianca conta que também custou a acreditar.

“Eu estava sem celular naquela semana. A Amanda contou e eu fiquei num estado catatônico. Só vou acreditar quando tiver feito o show (risos).”

Mais do que participar do festival, Saulo vê o convite como o reconhecimento de quase dez anos de trabalho.

“A gente já tinha mandado material para vários festivais. Mas esse foi um convite espontâneo, que nos deu a sensação de que fizemos o trabalho correto. É o coroamento de quase dez anos de estrada.”

Reprodução do Instagram

O anúncio mudou a rotina da banda

A confirmação da participação no Rock in Rio não representou apenas um novo compromisso na agenda. Para a Rhegia, o convite ampliou a visibilidade da banda e mudou a forma como o grupo passou a ser visto pelo público.

Segundo Saulo, a repercussão foi imediata, principalmente no Pará.

“Tivemos uma potencialização no número de seguidores. Muitos artistas famosos, inclusive do Pará, começaram a nos seguir. Aqui em Belém foi um alvoroço. Artistas como Joelma e Gaby Amarantos já tocaram no Rock in Rio, mas somos a primeira banda de rock daqui a tocar no festival. Isso gerou uma verdadeira ‘pororoca’ na mídia e mudou a forma como as pessoas enxergam a banda.”

Para Bianca, o anúncio consolidou uma trajetória que já vinha sendo construída nos últimos anos.

“A gente já vinha tendo reconhecimento no Brasil e fora. Mas, na nossa região, as pessoas passaram a olhar para a Rhegia como uma banda profissional, com uma trajetória consistente.”

A proximidade do festival também fez a banda rever a agenda. Os integrantes decidiram reduzir as apresentações para concentrar todos os esforços na preparação do show que será apresentado na Cidade do Rock.

“Resolvemos fazer uma série de ensaios para cuidar da parte musical e performática. Preferimos não assumir novos shows até o festival para entregar o melhor espetáculo possível”, explica Saulo.

Michel destaca que a dedicação faz parte da própria complexidade do repertório.

“O show da Rhegia exige muito de todos os músicos. As músicas têm uma execução difícil e demandam bastante estudo para que a gente consiga entregar qualidade.”

De fãs a artistas

Reproduçaõ Instagram

Muito antes de subir ao palco do Rock in Rio, alguns integrantes viveram o festival do outro lado da grade.

Michel Machado esteve na Cidade do Rock em 2013 para assistir aos shows de Metallica e Iron Maiden. Treze anos depois, voltará ao mesmo lugar, desta vez como artista.

“São lembranças que até hoje me arrepiam. Nunca imaginei que voltaria ao Rock in Rio dessa forma. Todo músico sonha com isso. É um grande salto.”

Bianca também admite que viverá uma experiência dupla durante o festival.

“Eu queria muito assistir ao Bad Omens este ano. Meu coração de fã está realizado, mas agora existe também a responsabilidade profissional. Vai ser uma experiência única.”

“Não desista”

Ao olhar para a trajetória iniciada em 2017, os integrantes reconhecem que a persistência foi decisiva para que a Rhegia chegasse ao maior festival de música do país.

Michel lembra que quase precisou abandonar a bateria por causa de problemas de saúde.

“Se eu pudesse falar com o Michel do passado, diria apenas: ‘Não desista. Continue. Um dia você vai tocar no Rock in Rio’. Naquela época, eu provavelmente acharia isso impossível.”

Saulo também voltaria no tempo apenas para confirmar que estava no caminho certo.

“Sempre fui muito ambicioso na música. Comecei a tocar guitarra tarde, mas nunca deixei de olhar para frente.”

Foi então que revelou uma história que nem todos da própria banda conheciam.

“Vou falar uma coisa que talvez nem tenha contado para eles ainda. Quando lançamos o primeiro trabalho, em 2019, eu mandei o material da Rhegia para a produção do Rock in Rio.”

Depois de alguns segundos, completou sorrindo.

“Então eu diria para aquele Saulo que ele tinha razão. Era só continuar trabalhando.”

A Rhegia sobe ao palco Global Village no dia 5 de setembro, levando ao Rock in Rio uma mistura de heavy metal, elementos sinfônicos e referências à cultura amazônica. Antes da apresentação, a banda ainda lança o álbum The Mirror of Light, encerrando uma trilogia iniciada em 2019 e abrindo um novo capítulo em sua trajetória.

Para Saulo, no entanto, o momento vai além da estreia em um dos maiores festivais do mundo. É a confirmação de que anos de trabalho, escolhas e persistência finalmente encontraram o palco que sempre imaginaram.

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