Franqueados dos EUA investem mais que brasileiros

Pesquisa mostra maior capitalização, uso de financiamento e visão de longo prazo entre investidores americanos

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Um levantamento apresentado na Convenção Mundial da International Franchise Association (IFA), realizada em fevereiro em Las Vegas, revela diferenças significativas entre o perfil dos franqueados nos Estados Unidos e no Brasil.

Os dados, divulgados pela revista Entrepreneur e analisados pela Global Franchise, indicam maior capacidade de investimento e uso mais estratégico de crédito entre os americanos.

Segundo a pesquisa, realizada com mais de 3.500 investidores, 51% dos novos franqueados nos Estados Unidos possuem mais de US$ 1 milhão disponíveis para investir. Além disso, 75% pretendem recorrer a financiamento bancário como forma de alavancagem financeira.

Perfil mais estruturado e experiente

O estudo também aponta que 67% dos investidores norte-americanos já tiveram experiência como empresários, enquanto 72% estão empregados no momento da busca por uma franquia.

A maioria tem entre 40 e 50 anos (66,6%) e 85% são casados, perfil que indica maior estabilidade financeira e maturidade profissional.

Para Paulo Mauro, CEO da Global Franchise, o comportamento reflete uma visão mais estratégica do negócio.

“Nos Estados Unidos, a franquia é encarada como ativo de investimento. O franqueado aceita um tempo de maturação maior e se estrutura financeiramente para isso. No Brasil, ainda há expectativa de retorno rápido, muitas vezes incompatível com a realidade operacional”, afirma.

Diferença no acesso ao capital

Além dos investidores com mais de US$ 1 milhão, outros 25% nos Estados Unidos possuem entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão disponíveis.

No Brasil, por outro lado, o crescimento das microfranquias impulsionou modelos com investimento inicial a partir de cerca de R$ 100 mil, geralmente com uso predominante de capital próprio.

Enquanto nos EUA o financiamento é amplamente utilizado — favorecido por taxas de juros abaixo de 7% ao ano —, no Brasil o custo elevado do crédito limita o acesso a esse tipo de estratégia.

Expectativa de retorno ainda é um desafio no Brasil

A diferença de mentalidade também aparece no prazo de retorno. Nos Estados Unidos, os investidores projetam atingir o ponto de equilíbrio entre um e dois anos e recuperar o investimento entre três e cinco anos.

Já no Brasil, é comum a expectativa de retorno em menos de dois anos e equilíbrio financeiro em poucos meses, o que pode comprometer a sustentabilidade do negócio.

“A diferença cultural impacta diretamente a taxa de sobrevivência das operações. O mercado americano exige planejamento e fôlego financeiro”, destaca Mauro.

Franquia como ativo de investimento

Outro dado relevante é que 84% dos investidores norte-americanos afirmam não ter problema em investir em negócios fora de sua área de afinidade, desde que apresentem potencial de rentabilidade.

Entre os segmentos mais procurados estão serviços ao consumidor (B2C), serviços empresariais (B2B), fitness e saúde, cuidados residenciais e esportes — setores com alta recorrência e previsibilidade de receita.

Expansão internacional exige adaptação

Para redes brasileiras que planejam expandir para os Estados Unidos, entender essas diferenças é fundamental para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso.

“Internacionalizar não é apenas replicar o modelo brasileiro. É adaptar a estrutura financeira, o prazo de retorno e a proposta de valor ao perfil do investidor local”, conclui Paulo Mauro.

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