Ford declara guerra aos elétricos chineses com picape de US$ 30 mil e fábrica revolucionária nos EUA

Montadora investe US$ 2 bilhões na modernização da planta de Louisville, adota novo modelo de produção e promete veículos elétricos mais baratos e rápidos de fabricar até 2027.

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A Ford anunciou nesta segunda-feira (11) um investimento de quase US$ 2 bilhões para modernizar a Louisville Assembly Plant, em Kentucky, com o objetivo de transformá-la em um polo de produção de veículos elétricos de baixo custo.

A iniciativa marca um passo decisivo da montadora para ampliar a competitividade no segmento e responder à crescente pressão de concorrentes chineses.

A reforma permitirá a adoção da nova Universal EV Platform, que servirá de base para diferentes modelos elétricos, reduzindo a complexidade produtiva e os custos operacionais.

Entre as inovações está a substituição da linha de montagem tradicional pelo sistema “assembly tree”, no qual três módulos principais são montados separadamente e depois unidos, o que promete acelerar a produção e reduzir o número de peças, parafusos e etapas.

O primeiro veículo fabricado nessa nova estrutura será uma picape elétrica de médio porte com preço inicial estimado em US$ 30.000, cuja produção está prevista para começar em 2027.

O modelo contará com baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), mais baratas e eficientes, e será montado com cerca de 20% menos componentes, 25% menos parafusos e em um tempo até 40% menor do que o processo convencional.

Apesar de a modernização resultar em aproximadamente 600 postos de trabalho a menos na unidade de Louisville, devido à automação, a Ford garantiu que muitos dos atuais 2.200 trabalhadores por hora serão realocados para outras fábricas, como a Kentucky Truck Assembly.

O impacto econômico vai além do Kentucky. Combinando o valor destinado a Louisville com os US$ 3 bilhões já anunciados para a construção de fábricas de baterias em Michigan, o investimento total chega a US$ 5 bilhões, com a expectativa de gerar ou manter quase 4.000 empregos nos Estados Unidos.

O CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que o projeto tem potencial de transformação semelhante ao do icônico Model T, que revolucionou a indústria automotiva no início do século 20. “Estamos diante de uma oportunidade histórica para redefinir a produção de veículos elétricos e torná-los acessíveis para milhões de pessoas”, disse.

Hoje, o preço médio de um EV nos EUA é de US$ 47 mil. Executivos da Ford afirmam que a acessibilidade é fundamental para convencer o consumidor americano a fazer a transição.

Mas a tarefa não será fácil. Nos últimos dois anos, a divisão de elétricos da marca acumulou quase US$ 10 bilhões em perdas — e a previsão para este ano é de mais US$ 5,5 bi no vermelho.

Fontes: Associated Press, Financial Times, Wired, Autoweek, WLKY.

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