Feito Pipa: o representante brasileiro no Oscar 2027

Longa de Allan Deberton acompanha a relação entre um menino e a avó no interior do Ceará e chega ao Festival do Rio antes de estrear nos cinemas.

O Brasil já tem um filme para chamar de seu na corrida pelo Oscar 2027. “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, foi escolhido para representar o país na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional. E, enquanto começa sua caminhada rumo à maior premiação do cinema, o longa também está sendo apresentado ao público durante o Festival do Rio, que começou nesta quinta-feira (1º).

A produção faz parte da programação da 28ª edição do festival, que reúne mais de 350 filmes entre os dias 1º e 11 de outubro. No evento carioca, “Feito Pipa” faz parte da mostra Nova Geração, da Première Brasil. 

Sinopse

O filme conta a história de Gugu, um menino de 12 anos que sonha em ser jogador de futebol. Criado pela avó, Dilma, ele cresce em um ambiente onde encontra liberdade para ser quem é.

A relação entre os dois é a alma do filme. Dilma é aquela pessoa que está sempre por perto, cuidando, ensinando e dando ao neto espaço para descobrir o próprio caminho.

Mas essa tranquilidade começa a mudar quando a saúde da avó fica mais frágil. Gugu passa a enfrentar a possibilidade de precisar deixar a casa onde cresceu para morar com o pai, Batista, vivido por Lázaro Ramos.

A mudança não significa apenas mudar de casa. Para o menino, existe o medo de perder a vida que conhece e, principalmente, a pessoa que sempre foi seu porto seguro.

Entre o futebol e a liberdade de ser criança

Gugu é apaixonado por futebol, mas também gosta de dançar. O personagem cresce sem entender por que algumas pessoas acham que ele deveria se comportar de determinada maneira.

Ao lado da avó, ele encontra liberdade para experimentar, brincar e simplesmente ser criança.

É a partir dessa relação que o filme fala sobre preconceito, família, identidade e amadurecimento. Só que “Feito Pipa” não transforma esses assuntos em algo pesado o tempo todo. A história está muito mais interessada em mostrar a vida de Gugu e a ligação que ele tem com Dilma.

O que aproxima a história do público, é que antes de tratar sobre grandes questões, o filme aborda o medo de perder alguém que ama.

Do Ceará para o mundo

Apesar de ser uma história muito ligada ao interior do Ceará, “Feito Pipa” já atravessou fronteiras.

O longa teve sua estreia mundial no Festival de Berlim, onde recebeu dois prêmios: o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus. A produção também passou por festivais em Cartagena e Guadalajara e foi premiada no Festival de Gramado. 

A trajetória ajudou a colocar o filme no radar antes mesmo de sua escolha para representar o Brasil no Oscar.

Mas existe uma razão ainda mais pessoal para a história ter essa ligação tão forte com o Ceará. O roteiro foi escrito por Allan Deberton em parceria com André Araújo e Camila Agustini, e parte da inspiração veio das memórias de infância dos envolvidos com o interior cearense.

Assim, o lugar onde Gugu vive não funciona apenas como cenário. Faz parte da memória, da família e da própria identidade do personagem.

O encontro com o Rio

Agora, “Feito Pipa” chega ao Rio de Janeiro em um momento importante de sua trajetória.

O Festival do Rio começou no dia 1º de outubro e, durante 11 dias, transforma diferentes espaços da cidade em salas de cinema. Entre as centenas de produções da programação, o representante brasileiro na corrida pelo Oscar está entre eles. 

No festival, “Feito Pipa” será exibido na mostra Nova Geração, dentro da Première Brasil. O longa também ganhou uma sessão de gala no Centro Cultural FGV, em Botafogo, marcada para o dia 6 de outubro, às 21h15. A sessão será gratuita. 

A presença no festival coloca o público carioca frente a frente de uma história que já conquistou espectadores e jurados em outros lugares. É também uma oportunidade de conhecer o filme antes de sua estreia comercial nos cinemas brasileiros.

Um caminho novo

Ser escolhido para representar o Brasil no Oscar já coloca “Feito Pipa” diante de um novo público. Mas a indicação ao prêmio ainda não está garantida.

O filme agora passa pelo processo de seleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que vai definir os títulos que seguem para a disputa por uma vaga entre os indicados a Melhor Filme Internacional. 

Enquanto isso, o público brasileiro ainda poderá acompanhar a história de Gugu nas salas de cinema. “Feito Pipa” tem estreia nacional marcada para 5 de novembro de 2026.

Até lá, o filme segue voando. Saiu do interior do Ceará, passou por Berlim, ganhou espaço em festivais brasileiros e agora chega ao Rio justamente quando começa uma das épocas mais importantes do ano para o cinema.

No centro de toda essa história continua Gugu, um menino que quer jogar futebol, gosta de dançar e só quer continuar perto da avó. Uma história pequena na origem, mas que agora começa a ganhar um caminho cada vez maior.

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