A jornalista de economia Juliana Rosa acaba de lançar o livro “De Galinha a Gavião”, no qual se propõe a traduzir temas complexos da economia brasileira para um público amplo, sem o uso do chamado “economês”.
Reconhecida por sua atuação em coberturas econômicas na TV e nas redes sociais, Juliana utiliza sua experiência de mais de 25 anos na área para explicar, de forma clara e envolvente, as razões pelas quais o Brasil figura entre os países mais desiguais do mundo e permanece, historicamente, preso a um ciclo de baixo crescimento econômico — o chamado “voo de galinha”.
A obra mescla análises, dados e entrevistas com alguns dos principais nomes da economia nacional, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, trazendo reflexões sobre inflação, juros, desigualdade social e o futuro do país.
Nesta entrevista exclusiva ao Portal N4 News, Juliana fala sobre a motivação para escrever o livro, os desafios de simplificar a economia sem perder profundidade e as lições aprendidas com os especialistas entrevistados.
Como surgiu a vontade de escrever o livro?
Eu sou jornalista de economia há mais de 25 anos e meu foco sempre foi democratizar o conhecimento econômico, traduzindo o “economês”. A forma complexa de explicar a economia se conecta apenas com quem já tem privilégios, alimentando um círculo vicioso que exclui a maioria das pessoas. Sou filha de uma professora de escola pública, que dedicou a vida à educação de qualidade, por isso valorizo o conhecimento, tão desvalorizado atualmente em um mar de fake news. E sou filha de um jornalista pernambucano que sofreu com o preconceito comum aos nordestinos nesse país. O livro parte da angústia de ver o Brasil entre os países mais desiguais do mundo e o desejo de explicar para pessoas comuns os motivos que vêm mantendo a economia brasileira num voo de galinha desde o século passado, o que tem privado a população de melhores condições de vida.
Você acha que os brasileiros estão pensando mais em economia?
Com certeza. O acesso ao conhecimento econômico aumentou muito através das redes sociais. Além disso, o acesso geral à educação teve um avanço significativo. Em 1980, 80% da população entre 7 e 14 anos estava na escola, número que saltou para 99% em 2023, segundo o IBGE. Porém, ainda é alto o número de jovens que não concluem a educação básica, uma realidade cruel que perpetua um ciclo de desigualdade e pobreza.
No livro, você menciona a importância de traduzir o ‘economês’ para o público em geral. Qual foi o maior desafio nesse processo e como você conseguiu equilibrar a linguagem acessível com a profundidade necessária para abordar temas tão complexos?
Eu desenvolvi uma linguagem desde o início de carreira que aproxima as notícias das pessoas, me conectando com elas através de uma conversa informal. O maior desafio sempre é conseguir entender muito bem os assuntos, porque eu sempre digo que o fácil é difícil. Estudo muito e converso sempre com os especialistas. E trago sempre exemplos concretos, do nosso dia a dia, porque a economia está na nossa vida o tempo todo, na inflação do supermercado, nos juros bancários. Precisamos ouvir quem estuda e é referência.
“De Galinha a Gavião” já está disponível nas principais livrarias físicas e digitais, oferecendo ao público uma leitura que une informação de qualidade e acessibilidade, com o objetivo de estimular o pensamento crítico sobre os caminhos para o desenvolvimento econômico do Brasil.



