Elon Musk confirmou, a princípio em um post na rede X, que seu período como Special Government Employee da administração Donald Trump chegou ao fim.
O empresário sul-africano comandava desde 2024 o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), órgão criado para reduzir gastos e enxugar a máquina pública. Seu mandato, limitado por lei a 130 dias de trabalho por ano, expirou oficialmente nesta quarta-feira.
Ainda que o DOGE tenha promovido cortes significativos e milhares de demissões, Musk viu a meta inicial de economia cair de US$ 2 trilhões para cerca de US$ 150 bilhões, em meio à resistência de agências federais, sindicatos e parlamentares.
“A situação da burocracia federal é muito pior do que eu imaginava”, declarou, ao passo que classificou o esforço de tornar Washington mais eficiente como uma “batalha em subida”.
O estopim para a decisão veio após a CBS divulgar trecho de entrevista na qual Musk se disse “desapontado” com o projeto de lei apelidado por Trump de Big Beautiful Bill – um pacote que mistura cortes de impostos e endurecimento migratório.
Segundo o executivo, a proposta representa “um gasto maciço” que compromete o trabalho do DOGE. “Um projeto pode ser grande ou belo; não sei se pode ser ambos”, ironizou.
Aliados republicanos, como o senador Ron Johnson, afirmaram compreender a frustração de Musk e sinalizaram que o Senado buscará ajustes para ampliar as reduções orçamentárias.
Já o presidente da Câmara, Mike Johnson, agradeceu ao empresário e prometeu aprofundar cortes à luz dos relatórios do DOGE. A Casa Branca, por sua vez, prepara um pacote de rescissions de US$ 9,4 bilhões para reforçar o esforço de contenção de despesas.
Musk, que doou cerca de US$ 250 milhões à campanha de Trump, admitiu ter “gastado tempo demais com política” e indicou que voltará a concentrar-se em seus negócios – Tesla, SpaceX e a própria X.
Entretanto, analistas avaliam que sua influência sobre o debate fiscal deve persistir, sobretudo se o Big Beautiful Bill enfrentar revisões no Congresso. Assim sendo, ainda que deixe formalmente Washington, o bilionário seguirá como voz ativa na pauta de austeridade.
Fonte: Fast Company


