Com a divulgação das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitos estudantes passam a planejar os próximos passos da trajetória acadêmica. Além das universidades públicas e privadas no Brasil, o desempenho no exame também pode ser utilizado em processos seletivos internacionais, ainda que com restrições.
Criado em 1998, o Enem ganhou maior projeção a partir de 2009, com a implantação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). No cenário internacional, um marco ocorreu em 2014, quando a Universidade de Coimbra firmou convênio com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e passou a aceitar oficialmente a nota do exame como forma de ingresso para estudantes brasileiros.
Atualmente, cerca de 26 universidades em Portugal — públicas e privadas — utilizam a nota do Enem como base para admissão. O país é o único que aceita o exame como substituto direto dos vestibulares locais.
De acordo com Roberta Mayumi, coordenadora do High School Americano e International Counselor da FourC Bilingual Academy, cada instituição define critérios próprios, como nota mínima, pesos específicos por área e prazo de validade da pontuação, que costuma variar entre quatro e cinco anos.
Em outros países europeus, como Espanha, Itália e França, o Enem não é suficiente para a admissão. Nesses casos, as universidades exigem histórico escolar, atividades extracurriculares e outros requisitos. “Nesses casos, a nota do exame nacional pode integrar o dossiê do processo seletivo, ajudando a contextualizar o desempenho acadêmico do candidato, mas não garante a aprovação”, explica.
Nos Estados Unidos, o Enem não integra o processo oficial de admissão. As universidades avaliam o candidato com base no histórico escolar (GPA), redações pessoais, atividades extracurriculares, cartas de recomendação e proficiência em inglês. No Canadá, a nota pode ser solicitada como documento adicional, mas tem peso limitado frente às notas do ensino médio e aos requisitos linguísticos.
Planejamento acadêmico e financeiro
Para quem pretende estudar fora do país, o planejamento envolve aspectos acadêmicos e financeiros. Além do orçamento, é necessário verificar a documentação exigida por cada instituição e os prazos de inscrição, que variam conforme as regras locais.
“Nesse cenário, a escola deve desempenhar um papel estratégico ao orientar escolhas acadêmicas desde cedo, desenvolver competências como escrita argumentativa e pensamento crítico, incentivar atividades extracurriculares e apoiar a preparação para exames de proficiência”, complementa Roberta.
Para estudantes que concentraram a preparação apenas no Enem, a conselheira internacional recomenda priorizar as universidades portuguesas, mas ressalta que o exame também pode ser considerado em processos de concessão de bolsas de estudo, ainda que não seja o único critério de avaliação.


