Dólar cai abaixo de R$ 4,97 e prolonga reação do mercado após primeiro turno

Moeda americana mantém trajetória de queda nesta terça-feira (6), depois de recuar mais de 4% na véspera; Bolsa brasileira também abriu em alta

O dólar voltou a cair nesta terça-feira (6) e passou a operar abaixo de R$ 4,97, prolongando o movimento de valorização dos ativos brasileiros iniciado após o resultado do primeiro turno das eleições.

Por volta das 9h18, a moeda americana era negociada a R$ 4,968 na venda, queda de 0,66%. O dólar futuro para novembro também recuava, negociado perto de R$ 4,99.

O movimento ocorre depois de uma sessão histórica no mercado brasileiro. Na segunda-feira (5), o dólar caiu 4,12% e encerrou o dia a R$ 5,0022, enquanto o Ibovespa avançou 7,85%, aos 207.190 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos no fechamento.

Por que o dólar está caindo?

A principal explicação para o movimento dos últimos dois pregões está na reação dos investidores ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial.

Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois candidatos disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

A leitura inicial de parte do mercado foi de redução do prêmio de risco exigido para investir em ativos brasileiros. Esse movimento aumenta a procura por ativos locais, favorece a entrada de recursos e contribui para a valorização do real frente ao dólar.

Os juros futuros também recuaram fortemente na segunda-feira, outro sinal da mudança nas expectativas dos investidores.

Nesta terça, o cenário externo também contribui para o movimento. A moeda americana perde força diante de diferentes divisas no exterior, enquanto investidores acompanham os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a queda dos preços do petróleo.

Dólar chegou a R$ 4,95 na segunda-feira

Apesar de ter encerrado a segunda-feira pouco acima de R$ 5, o dólar chegou a R$ 4,95 na mínima do pregão.

A cotação de fechamento, de R$ 5,0022, foi a menor desde 21 de maio. Com a queda, a moeda americana passou a acumular desvalorização de 8,87% em 2026.

Nesta terça-feira, o movimento de baixa continuou. Pouco depois da abertura, a cotação voltou a ficar abaixo de R$ 4,97.

Bolsa também mantém movimento positivo

O mercado acionário brasileiro também iniciou esta terça-feira em terreno positivo, depois da forte valorização registrada na véspera.

Na segunda-feira, o Ibovespa fechou aos 207.190,44 pontos, alta de 7,85%, depois de atingir 209.605,70 pontos na máxima do dia. Foi a primeira vez que o principal índice da Bolsa brasileira encerrou uma sessão acima dos 200 mil pontos.

A sessão também registrou forte valorização de diferentes ativos brasileiros e queda das taxas de juros futuros.

O dólar pode continuar caindo?

Apesar do movimento expressivo dos últimos pregões, o comportamento do câmbio não depende apenas do cenário eleitoral.

As próximas sessões devem continuar sujeitas às expectativas sobre o segundo turno, além de fatores como política fiscal, trajetória dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, entrada e saída de capital estrangeiro, preços das commodities e cenário internacional.

A intensidade da movimentação também exige cautela. Depois de oscilações tão fortes, investidores podem realizar lucros e ajustar posições, provocando mudanças rápidas nas cotações.

Para o consumidor, um dólar mais baixo pode reduzir custos relacionados a viagens internacionais, compras no exterior e produtos importados. Esses efeitos, porém, não costumam ser imediatos e dependem de quanto tempo a valorização do real será mantida.

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