Antes de cruzar as passarelas de grifes como Chanel, Gucci e Schiaparelli, Luiza Perote gravava vídeos desfilando no corredor de casa. Natural de Humaitá, no Amazonas, a modelo começou a chamar atenção nas redes sociais durante a pandemia, quando compartilhava o sonho de construir uma carreira na moda. Alguns anos depois, o sonho ganhou proporções internacionais: Luiza conquistou espaço nas principais semanas de moda do mundo e teve sua confirmação no Victoria’s Secret Fashion Show 2026 confirmada pela Vogue.
A chegada da modelo amazonense ao desfile marca mais um capítulo da presença brasileira em uma das passarelas mais conhecidas da indústria fashion. Antes dela, nomes como Giselle Bünchen, Adriana Lima e Alessandra Ambrósio ajudaram a transformar as brasileiras em figuras importantes na história da marca. Agora, uma nova geração se junta a essas trajetórias, mostrando que essa relação entre o Brasil e a Victoria’s Secret continua se renovando.
Uma nova geração nas passarelas
Depois de anos marcados pela presença das Angela tradicionais, o desfile começou a receber novos nomes e a passar por mudanças. Em 2024, após um intervalo de seis anos, a Victoria’s Secret voltou a realizar o evento, em meio a discussões sobre os padrões de beleza e a falta de diversidade que marcaram parte de sua história.
Naquele retorno, a brasileira Valentina Sampaio ganhou destaque por ser a primeira brasileira trans a desfilar no evento. A participação também fez parte de uma trajetória que já havia chamado atenção em 2019, quando ela se tornou a primeira modelo trans a estrelar uma campanha da linha PINK, da marca.
No ano seguinte, em 2025, Daiane Sodré e Gabriela Moura fizeram suas estreias na passarela. As duas dividiram o desfile com veteranas como Adriana Lima e Alessandra Ambrósio, mostrando que diferentes gerações de brasileiras continuavam encontrando espaço no evento.
Gabriela, natural de Niterói, no Rio de Janeiro, começou sua trajetória nas redes sociais e construiu uma carreira que une moda e influência digital. Em 2026, ela foi confirmada para desfilar pela segunda vez consecutiva.
Daiane, por sua vez, nasceu em Baixa Grande, na Bahia, e já tinha uma trajetória de anos no mercado da moda antes de chegar à passarela da marca. Sua estreia representou mais um passo em uma carreira construída no cenário internacional.
De Amazonas para o mundo
É nesse contexto que Luiza Perote chega à Victoria’s Secret. Natural de Humaitá, no Amazonas, a modelo começou a construir sua trajetória ainda adolescente, depois de ser descoberta aos 13 anos em um concurso de modelos.
Durante a pandemia, quando as passarelas e os trabalhos presenciais foram interrompidos. Luiza passou a publicar vídeos desfilando no corredor de casa. Aquelas imagens ajudaram a chamar atenção para seu trabalho e se tornaram parte de uma história que, alguns anos depois, ganhou proporções internacionais.
Desde então, a modelo vem conquistando espaço em grandes marcas e nas principais semanas de moda. Seu nome passou a circular entre os novos rostos da indústria, com trabalhos para grifes como Chanel, Gucci e Schiaparelli.
A confirmação no Victoria’s Secret Fashion Show 2026 representa mais um passo importante dessa trajetória. Aos poucos, Luiza se junta a uma lista de brasileiras que chegaram à mesma passarela em momentos diferentes de suas carreiras, cada uma com sua própria história.
O que mudou na Victoria’s Secret?
A presença de novas modelos também ajuda a mostrar as transformações pelas quais a marca passou nos últimos anos. Durante muito tempo, a Victoria’s Secret era conhecida por um padrão de beleza bastante específico, associado a corpos magros, asas elaboradas e à imagem das Angels. Com o tempo, esse modelo passou a ser questionado, especialmente pela falta de diversidade nas passarelas.
As críticas fizeram parte do contexto que levou ao cancelamento do desfile em 2019. Quando o evento voltou, em 2024, a marca tentou apresentar uma imagem diferente, com modelos de diferentes idades, corpos e trajetórias. O retorno, no entanto, não encerrou as discussões sobre representatividade, que continuam presentes a cada nova edição.
Nesse cenário, a história das brasileiras também ganha outros contornos. Se Adriana Lima, Gisele Bündchen e Alessandra Ambrósio ficaram associadas à fase mais conhecida das Angels, nomes como Valentina Sampaio, Daiane Sodré, Gabriela Moura e Luiza Perote chegam em um momento de mudanças na indústria.
Isso não significa que a passarela tenha deixado de seguir padrões ou que todas as barreiras tenham sido superadas. Mas mostra como a relação entre a moda, a imagem das modelos e as expectativas do público está em constante transformação.
A chegada de Luiza não apaga o caminho percorrido pelas brasileiras que vieram antes. Pelo contrário, acrescenta mais um capítulo a uma história que continua sendo escrita. De vídeos gravados no corredor de casa às passarelas internacionais, sua trajetória se conecta à de tantas outras modelos que encontraram na moda uma oportunidade de levar seus nomes para além do Brasil.
E, enquanto uma nova geração se prepara para cruzar a passarela, as brasileiras continuam ocupando espaço em um desfile que, ao longo das décadas, se tornou parte da memória da moda internacional.

