A ideia de transformar uma das figuras mais conhecidas da história da animação em inspiração para um filme de terror pode despertar curiosidade, principalmente em um momento em que personagens clássicos começam a ganhar versões mais sombrias no cinema. É essa proposta que conduz Murder House – Parque da Morte, longa de 82 minutos que utiliza o imaginário de Mickey Mouse para construir uma história de terror em um parque de diversões abandonado. Apesar de partir de uma premissa que poderia render bons momentos de tensão, o filme acaba esbarrando em problemas de roteiro, desenvolvimento de personagens e execução visual.
A trama acompanha um grupo de adolescentes que decide visitar um parque de diversões abandonado chamado Mickey’s Playhouse. O que inicialmente parece uma aventura acaba se transformando em um pesadelo quando eles passam a ser perseguidos por figuras misteriosas. A produção tenta construir uma atmosfera de suspense a partir da estética de um antigo parque infantil, explorando o contraste entre a nostalgia dos personagens e o ambiente de terror.
Um dos pontos positivos está justamente na introdução. O filme apresenta imagens antigas do parque, criando uma contextualização interessante e despertando a curiosidade sobre o passado daquele lugar. Entretanto, a construção dessa atmosfera não se sustenta ao longo da narrativa. O roteiro recorre a situações bastante conhecidas do gênero slasher, sem conseguir apresentar elementos suficientemente originais para diferenciar a produção de tantos outros filmes sobre adolescentes que entram em lugares abandonados e precisam lutar pela própria sobrevivência.
Os diálogos também prejudicam a experiência. Em diversos momentos, as conversas parecem desconectadas das situações apresentadas, enquanto os personagens são desenvolvidos de maneira superficial, sem profundidade ou motivações que façam o público criar algum vínculo com eles. A protagonista, em especial, apresenta comportamentos e falas que podem torná-la pouco cativante. Embora exista uma tentativa de construir uma reviravolta envolvendo sua personagem, a mudança acaba não sendo explorada com a força necessária.
A personagem Bianca também é um dos exemplos dos problemas de construção narrativa. Sua participação envolve situações que poderiam acrescentar camadas à história, mas são apresentadas de maneira rasa, sem consequências dramáticas que realmente contribuam para o desenvolvimento do enredo.
Outro problema está na ambientação. Apesar de o parque de diversões ser o principal cenário da produção, em diversos momentos o espaço não transmite a sensação de estar em um parque real. Algumas imagens abertas apresentam um aspecto artificial, com enquadramentos e cenários que lembram produções feitas com o auxílio de inteligência artificial ou com o uso excessivo de fundos digitais. Essa impressão compromete a imersão e faz com que algumas sequências pareçam pouco convincentes.

A trilha sonora também não contribui para a construção do suspense. Em vez de intensificar a tensão, algumas escolhas musicais parecem deslocadas das cenas. Os sustos são previsíveis e o filme encontra dificuldades para provocar medo ou mesmo criar momentos de desconforto no espectador.
Na parte final, a narrativa ainda enfrenta problemas de ritmo e clareza. A história começa a se perder em explicações pouco desenvolvidas, especialmente quando apresenta a origem e o funcionamento da seita envolvida nos acontecimentos. A falta de informações mais consistentes faz com que algumas decisões pareçam confusas, deixando questões importantes sem respostas satisfatórias.
No fim, Murder House – Parque da Morte é mais um exemplo de uma produção que encontra uma premissa interessante, mas não consegue aproveitá-la completamente. A proposta de transformar o universo de um personagem tão associado à infância em uma experiência de terror tinha potencial para construir uma atmosfera perturbadora, mas acaba limitada por um roteiro previsível, personagens pouco desenvolvidos e problemas técnicos que comprometem a experiência.
Para quem procura um terror despretensioso, com uma premissa curiosa, o longa pode até servir como entretenimento passageiro. No entanto, para quem espera uma história bem construída e momentos realmente assustadores, a produção deixa a desejar. O maior problema não é a falta de potencial da ideia, mas a dificuldade de transformá-la em um filme que consiga sustentar o próprio conceito.

