O Brasil tinha 1,959 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais de serviços em 2025, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número corresponde a 1,9% da população ocupada com 14 anos ou mais no país.
O estudo faz parte do módulo Trabalho por Meio de Plataformas Digitais da Pnad Contínua e considera atividades como transporte de passageiros, entregas e prestação de serviços intermediados por aplicativos. A pesquisa foi realizada em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho.
O retrato mostra um mercado de trabalho em expansão, mas também revela diferenças importantes em relação aos demais trabalhadores do setor privado.
Os profissionais que utilizam plataformas trabalham, em média, 44,7 horas por semana, cerca de 5,4 horas a mais que os demais ocupados do setor privado. Apesar disso, o rendimento mensal médio é praticamente o mesmo: R$ 3.147 entre os trabalhadores de aplicativos e R$ 3.148 entre os demais.
Transporte de passageiros concentra maior número de trabalhadores
Os aplicativos de transporte de passageiros concentram a maior parcela dos trabalhadores de plataformas.
Segundo o IBGE, cerca de 1,2 milhão de pessoas, o equivalente a 58,9% do total, trabalhavam com transporte de passageiros por aplicativos em 2025. Desse grupo, aproximadamente 1,1 milhão atuava em serviços de transporte particular de passageiros, enquanto 232 mil utilizavam aplicativos específicos de táxi.
As plataformas de entrega de comida e produtos eram utilizadas por 585 mil pessoas, correspondendo a 29,9% dos trabalhadores de plataformas. Dentro desse grupo, 376 mil atuavam diretamente como entregadores.
Número de trabalhadores por plataformas cresceu desde 2022
Considerando apenas quem tinha as plataformas como trabalho principal, o contingente passou de 1,319 milhão em 2022 para 1,805 milhão em 2025, uma alta de 36,8% no período. Entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 9,1%.
Em 2025, as plataformas eram o trabalho único ou principal para cerca de 1,8 milhão de pessoas. Outros 182 mil utilizavam aplicativos como trabalho secundário.
A metodologia de 2025 foi ampliada em relação às edições anteriores, passando a considerar também atividades realizadas por plataformas no trabalho secundário. Por isso, a comparação histórica mais adequada usa o contingente que tinha os aplicativos como ocupação principal.
Flexibilidade é principal motivo para trabalhar por aplicativo
A possibilidade de organizar os próprios horários aparece como principal motivo para utilização das plataformas.
Entre os trabalhadores pesquisados, 26,8% apontaram a flexibilidade como principal razão para atuar por aplicativos. Outros 24,6% disseram não conseguir encontrar outro trabalho, enquanto 20,8% afirmaram que a remuneração oferecida pelas plataformas era superior à de outras ocupações disponíveis.
O perfil também é predominantemente masculino. Os homens representam 84,4% dos trabalhadores de plataformas, enquanto as mulheres correspondem a 15,6%.
Quase metade, 47%, tem entre 25 e 39 anos. Além disso, 62,5% possuem ensino médio completo ou superior incompleto.
Renda por hora é menor
Embora o rendimento mensal médio esteja praticamente empatado com o dos demais trabalhadores do setor privado, o maior número de horas trabalhadas reduz o valor recebido por hora.
Os trabalhadores de plataformas recebiam, em média, R$ 16,20 por hora, enquanto os demais ocupados do setor privado recebiam aproximadamente R$ 18,40.
A renda média dos trabalhadores de aplicativos também ficou praticamente estagnada nos últimos anos. Em valores reais, passou de R$ 3.115 em 2022 para R$ 3.151 em 2024 e recuou para R$ 3.147 em 2025. No mesmo período, a renda dos demais trabalhadores do setor privado aumentou 10,6%.
Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, a estabilização do rendimento dos motoristas e motociclistas teve peso importante nesse resultado, já que essas duas categorias representam aproximadamente três quartos dos trabalhadores de plataformas.
Maioria não contribui para a Previdência
A pesquisa também revela menor proteção previdenciária entre os trabalhadores de plataformas.
Apenas 34% contribuíam para a Previdência Social, enquanto entre os demais trabalhadores do setor privado essa proporção era de aproximadamente 63%.
Entre motociclistas de aplicativos, a situação é ainda mais acentuada. Dos cerca de 405 mil motociclistas que trabalhavam por aplicativos em 2025, apenas 79 mil tinham cobertura previdenciária, o equivalente a 19,4%.
Trabalho por aplicativo ainda é majoritariamente por conta própria
Os trabalhadores por conta própria representam 86,8% dos profissionais que utilizam plataformas digitais. Empregadores correspondem a 4,5% e empregados no setor privado, a 8,1%.
Além dos serviços, o IBGE identificou 210 mil trabalhadores por conta própria ou empregadores do comércio que utilizaram plataformas de comércio eletrônico para conseguir clientes e vender produtos em 2025.
O levantamento ajuda a dimensionar o peso das plataformas digitais no mercado de trabalho brasileiro e também evidencia diferenças em jornada, rendimento por hora e proteção social entre trabalhadores de aplicativos e os demais ocupados.


