84% das plataformas digitais não verificam idade de crianças no cadastro

Estudo aponta falhas na proteção digital antes da entrada em vigor do ECA Digital

Priorizar nos meus resultados Google

Um levantamento divulgado nesta semana revela que 84% dos serviços digitais mais usados por crianças no Brasil não verificavam a idade no momento da criação de contas.

O dado corresponde a 21 das 25 plataformas analisadas no estudo Práticas de aferição de idade em 25 serviços digitais usados por crianças no Brasil, produzido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

A pesquisa foi apresentada durante o Seminário ECA Digital, em Brasília, e retrata o cenário anterior à entrada em vigor da nova legislação voltada à proteção de menores no ambiente online.

A divulgação ocorre na mesma semana em que passou a valer o chamado ECA Digital, legislação que atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente virtual. A norma estabelece regras mais rígidas para plataformas digitais, incluindo a obrigatoriedade de mecanismos efetivos de verificação de idade.

Entre as principais mudanças, está a proibição da autodeclaração simples — quando o usuário apenas informa sua data de nascimento sem qualquer validação. A nova lei também determina maior responsabilidade das empresas e reforça a necessidade de supervisão parental.

Estudo aponta falhas generalizadas

O levantamento analisou diferentes tipos de serviços, incluindo redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de vídeo, inteligência artificial, jogos online e marketplaces.

Entre os destaques:

  • 84% não verificam idade no cadastro
  • 44% usam empresas terceirizadas em algum momento da verificação
  • 52% utilizam envio de documento como método de validação
  • 48% adotam selfies (foto ou vídeo) para estimar idade

Na maioria dos casos, a verificação ocorre apenas posteriormente, quando o usuário tenta acessar funcionalidades específicas, como transmissões ao vivo ou monetização.

Falta de transparência

A pesquisa também identificou baixa transparência das plataformas:

  • Apenas 6 das 25 empresas publicam relatórios com dados sobre o Brasil
  • Somente 1 relatório aborda políticas de idade mínima no país

Além disso, regras de uso são frequentemente complexas, dispersas e, em alguns casos, sem tradução para o português, dificultando a compreensão por usuários e responsáveis.

Perspectivas com o ECA Digital

Com a nova legislação em vigor, a tendência é de maior rigor na verificação de idade e responsabilização das plataformas. O desafio, no entanto, será equilibrar proteção de menores, privacidade de dados e viabilidade técnica das soluções.

A versão completa do estudo deve ser divulgada nos próximos meses, trazendo recomendações para a implementação das novas regras e aprimoramento da segurança digital para crianças e adolescentes no Brasil.

Mais notícias

+
- Publicidade -
- Publicidade -

Veja também