Se alguém dissesse há alguns anos que seria possível “conversar com Jesus” por videochamada, provavelmente soaria como piada. Em 2026, no entanto, a experiência existe — e custa US$ 1,99 por minuto.
A proposta é da empresa Just Like Me, que criou um avatar de Jesus alimentado por inteligência artificial. A ideia é simples: o usuário entra na plataforma, inicia uma chamada e recebe mensagens de conforto, conselhos e reflexões espirituais diretamente de uma versão digital do personagem.
Para quem quiser uma experiência mais longa, há planos mensais — afinal, até a espiritualidade ganhou modelo de assinatura.
O sistema foi treinado com textos religiosos, como a Bíblia, e promete interações personalizadas. Na prática, ainda entrega alguns “milagres tecnológicos” incompletos: falhas na sincronização da fala e respostas nem sempre tão divinas assim.
Não é só Jesus: a IA entrou de vez na religião
A ideia faz parte de uma tendência maior. Hoje, já existem chatbots que simulam gurus, monges e conselheiros espirituais de diferentes religiões.

A lógica segue o mesmo padrão de outras áreas dominadas pela IA: se já tem robô para terapia, relacionamento e produtividade, por que não para fé?
Inspiração ou exagero?
Nem todo mundo vê a novidade como evolução. Especialistas apontam riscos que vão desde desinformação até o impacto emocional em usuários mais vulneráveis.
Também há o alerta clássico do mercado digital: nem toda “IA religiosa” tem base real. Em alguns casos, trata-se apenas de uma interface adaptada para um público específico — com bastante apelo comercial.
E agora?
Com a tecnologia avançando rapidamente, a fronteira entre experiência espiritual e produto digital começa a ficar cada vez mais difusa.
No fim das contas, a pergunta que fica não é só tecnológica, mas quase filosófica: conversar com uma IA pode substituir uma experiência de fé — ou isso diz mais sobre o momento atual do que sobre a própria religião?
Fonte: FastCompany


