Em maio de 2025, o volume de vendas do comércio varejista apresentou queda de 0,2 % em relação a abril, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados pelo IBGE.
Esse foi o segundo mês consecutivo de retração, já que em abril a queda havia sido de 0,4 %. Com isso, o setor permanece no campo da estabilidade.
Panorama geral
A média móvel trimestral teve um avanço discreto de 0,1 %. Na comparação com maio de 2024, houve uma alta de 2,1 %, enquanto o acumulado nos últimos 12 meses ficou em 3,0 %.
Varejo ampliado apresenta leve crescimento
Considerando também os setores de veículos, motos, peças e material de construção, o varejo ampliado registrou crescimento de 0,3 % em maio frente a abril. A média móvel ficou estável nesse segmento.
Na comparação anual, o avanço foi de 1,1 %, com um acumulado de 2,4 % nos últimos 12 meses.
Destaques por segmento em maio
Setores com crescimento:
- Equipamentos de escritório, informática e comunicação: alta de 3,0 %
- Móveis e eletrodomésticos: alta de 2,0 %
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: alta de 1,7 %
- Tecidos, vestuário e calçados: alta de 1,1 %
- Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: alta de 0,4 %
Setores em queda:
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: queda de 2,1 %
- Livros, jornais, revistas e papelaria: queda de 2,0 %
- Combustíveis e lubrificantes: queda de 1,7 %
No varejo ampliado, o setor de veículos, motos e peças apresentou crescimento de 1,5 %, enquanto o de material de construção manteve-se estável.
Comparação anual por setor
Na comparação com maio de 2024, o setor de tecidos, vestuário e calçados teve o maior crescimento, com alta de 7,1 %. Em seguida, vieram móveis e eletrodomésticos, com 7,0 %, e artigos de perfumaria, com 5,5 %. Apenas os segmentos de combustíveis e lubrificantes, com queda de 0,6 %, e outros artigos de uso pessoal e doméstico, com recuo de 0,4 %, apresentaram variação negativa.
No varejo ampliado, veículos e motos subiram 1,5 % e material de construção cresceu 4,7 % em relação ao mesmo período do ano anterior.
Análise do mercado
Segundo Cristiano Santos, gerente da pesquisa, o resultado negativo pode ser explicado por dois fatores principais: o efeito base, já que março apresentou o maior nível da série histórica desde 2000, e a restrição ao crédito à pessoa física, influenciada pela alta taxa básica de juros. Atualmente, a Selic está em 15 % ao ano, o que dificulta o acesso ao consumo por parte da população.
A sequência de dois meses de queda é interpretada como reflexo de uma desaceleração econômica gradual, marcada por inflação ainda elevada e juros altos. No entanto, especialistas apontam que o mercado de trabalho aquecido e a manutenção da renda têm contribuído para sustentar o consumo em diversos segmentos.
Próximos passos
O próximo boletim da Pesquisa Mensal de Comércio, referente ao mês de junho de 2025, será divulgado em 13 de agosto.
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Fonte: IBGE


