Vasco celebra 102 anos da Resposta Histórica; entenda o significado

Em 1924, o clube marcava seu nome na história ao se posicionar contra a discriminação racial e social no esporte.

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Nessa terça-feira, 7 de abril, a Resposta Histórica do Vasco completa 102 anos. Mais do que um episódio do passado, a Resposta Histórica segue como um dos momentos mais simbólicos da luta contra o preconceito no futebol brasileiro e que ajuda a explicar a identidade do clube até hoje com o lema “RESPEITO-IGUALDADE-INCLUSÃO”. Mas afinal, o que foi esse documento?

Barreiras nos esportes

No remo, o preconceito se manifestava. A partir de 1904, regras mais rígidas passaram a dificultar a participação de atletas de origem popular, especialmente trabalhadores do comércio. Em resposta, o Vasco se posicionou contra essas medidas, defendendo seus atletas e criticando a exclusão baseada em critérios sociais, em um dos primeiros registros de resistência do clube.

A discriminação também marcou o início do futebol carioca. Em 1917, a criação da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMTD) estabeleceu novas barreiras, como a exigência de alfabetização e restrições a profissões consideradas “humilhantes”. Na prática, essas regras atingiam principalmente a população negra e mais pobre, que já enfrentava dificuldades de acesso à educação.

Foi nesse contexto que o Vasco passou a investir no futebol, a partir de 1915, abrindo espaço para jogadores de origem humilde e vindos de clubes suburbanos. A estratégia deu resultado: em poucos anos, o clube formou uma equipe competitiva e conquistou o Campeonato Carioca de 1923, com um elenco diverso, que incluía atletas negros e de baixa renda, os famosos “Camisas Negras”.

Nova liga pede exclusão de jogadores

Em 1924, a criação da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA) estabeleceu novas exigências para a participação dos clubes. Foi aceito a inscrição do Vasco desde que o clube excluísse 12 de seus jogadores de seu elenco, sete da equipe principal, a maioria negros e pertencentes às camadas populares da sociedade.

A resposta veio no mesmo ano, em 7 de abril de 1924, na secretaria do clube, o presidente José Augusto Prestes redigiu e assinou o Ofício n.º 261, a “Resposta Histórica”. No ofício, o clube recusou a exigência e optou por não participar da nova liga, em um posicionamento firme contra a exclusão de seus atletas.

Documento "Resposta Histórica" - Vasco da Gama

Mais de um século depois, o episódio segue como um dos principais marcos da história do Vasco e do futebol brasileiro, simbolizando a luta contra o preconceito racial e social dentro do esporte.

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