A Universal Music Group fechou uma parceria com a ElevenLabs para desenvolver uma plataforma que permitirá aos fãs criar remixes, mashups e novas interpretações de músicas utilizando inteligência artificial. O serviço utilizará obras licenciadas e terá participação opcional de artistas e compositores.
O acordo, anunciado na quinta-feira (10), é plurianual e também prevê o desenvolvimento de outras ferramentas de áudio com inteligência artificial voltadas para músicos e compositores.
A nova plataforma ainda está em desenvolvimento e não teve data de lançamento divulgada.
Fãs poderão criar novas versões de músicas
A proposta é oferecer ferramentas para que o público possa interagir de novas maneiras com músicas de artistas participantes.
Entre as possibilidades anunciadas estão remixes, mashups, novas interpretações de faixas e experiências vocais personalizadas.
Isso significa que uma música poderá servir como base para novas criações feitas com auxílio da inteligência artificial dentro de um ambiente oficialmente licenciado.
Não significa, porém, que todo o catálogo da Universal estará automaticamente disponível.
Artistas e compositores poderão decidir se querem participar da plataforma.
Artistas deverão participar da receita
Um dos pontos centrais do acordo é a remuneração.
Universal e ElevenLabs afirmam que artistas e compositores participantes deverão compartilhar o valor criado pelas novas experiências.
Os detalhes financeiros e a forma de distribuição dessas receitas ainda não foram divulgados.
A proposta tenta responder a uma das principais críticas feitas às plataformas de geração musical por IA: a utilização de obras protegidas sem autorização ou remuneração dos titulares dos direitos.
ElevenLabs entra de vez na disputa pela música com IA
A ElevenLabs ficou conhecida principalmente por seus modelos de geração e reprodução de voz por inteligência artificial.
A parceria com a Universal representa o primeiro acordo da companhia com uma grande gravadora envolvendo licenciamento e desenvolvimento de produtos.
A nova plataforma será oferecida separadamente das ferramentas musicais que a ElevenLabs já possui.
Entre elas estão o ElevenMusic, que permite gerar e editar músicas originais, e uma API voltada a empresas e desenvolvedores.
Gravadoras mudam estratégia diante da inteligência artificial
O acordo faz parte de uma transformação maior na indústria musical.
Durante os primeiros anos da popularização da IA generativa, boa parte da discussão esteve concentrada em processos judiciais e acusações de utilização de músicas protegidas para treinar modelos.
Agora, as grandes gravadoras começam a testar modelos nos quais a inteligência artificial utiliza conteúdo licenciado e artistas podem escolher participar das experiências.
Nesta semana, a Suno também lançou uma nova geração de modelos desenvolvida em parceria com Warner Music Group, BMG e Believe.
A empresa afirma que os próximos produtos permitirão que artistas optem por participar e recebam dinheiro pelas criações produzidas a partir dessas experiências.
A Universal também mantém outros projetos relacionados à inteligência artificial, incluindo iniciativas com Udio, Spotify, Nvidia e Klay.
IA pode criar uma nova fonte de receita para músicos
A mudança abre uma possibilidade que não existia de forma estruturada no modelo tradicional de streaming.
Hoje, artistas recebem principalmente quando suas músicas são reproduzidas, compradas, licenciadas ou utilizadas comercialmente.
Com plataformas de criação por IA, uma música também poderá gerar receita quando servir como base para uma nova criação feita pelo próprio fã.
Um usuário poderia, por exemplo, produzir um remix ou uma nova interpretação dentro de uma plataforma licenciada, enquanto os titulares dos direitos da obra original participariam da receita gerada por essa atividade.
Os modelos comerciais ainda estão sendo desenvolvidos, mas a indústria começa a tratar a criação com inteligência artificial como um potencial novo mercado.
De combater a IA a tentar ganhar dinheiro com ela
O movimento da Universal e da ElevenLabs mostra uma mudança importante na relação entre inteligência artificial e indústria fonográfica.
A discussão não desapareceu. Questões relacionadas a direitos autorais, uso de voz, identidade artística, treinamento de modelos e remuneração continuam abertas.
Mas as gravadoras começam a construir plataformas nas quais a utilização da tecnologia ocorre mediante licenciamento.
Depois de transformar a distribuição da música com o streaming, a indústria começa agora a testar uma nova etapa: permitir que o público deixe de ser apenas ouvinte e passe também a recriar músicas de seus artistas favoritos com inteligência artificial.


