Turismo de negócios bate recorde e movimenta R$ 8,4 bilhões no Brasil

Viagens corporativas cresceram 8,1% entre janeiro e julho, puxadas pelo transporte aéreo; Brasil tem a maior projeção de crescimento entre 15 grandes mercados globais em 2026

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As viagens a trabalho seguem ganhando espaço no Brasil. Entre janeiro e julho de 2026, o turismo de negócios movimentou R$ 8,44 bilhões entre as empresas acompanhadas pela Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), o maior resultado já registrado para o período.

O faturamento representa crescimento de 8,1% sobre os R$ 7,8 bilhões registrados nos primeiros sete meses de 2025 e reforça a recuperação de um segmento que movimenta uma cadeia que vai muito além das passagens: hotéis, restaurantes, locadoras de veículos, transfers, seguros e eventos também são impactados pelas viagens corporativas.

Os dados da Abracorp foram compilados pelo Ministério do Turismo. O desempenho brasileiro acompanha uma perspectiva positiva para o restante do ano.

Um levantamento internacional da Global Business Travel Association (GBTA) projeta crescimento de 13,8% nos gastos com viagens corporativas no Brasil em 2026, maior avanço entre os 15 principais mercados analisados pela entidade.

Passagens aéreas respondem por quase 60% do faturamento

O transporte aéreo continua sendo o principal motor do turismo de negócios.

De janeiro a julho, o segmento movimentou R$ 5,02 bilhões, crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Na prática, aproximadamente R$ 6 de cada R$ 10 movimentados pelas viagens corporativas acompanhadas pela Abracorp vieram das passagens aéreas.

A hotelaria ocupa a segunda posição, com faturamento de aproximadamente R$ 2,5 bilhões nos sete primeiros meses do ano e crescimento de 3,26%.

Somados, transporte aéreo e hospedagem representam a maior parte do dinheiro movimentado pelo segmento.

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, avalia que os efeitos das viagens corporativas acabam distribuídos por diferentes atividades econômicas.

“O avanço do turismo de negócios comprova o dinamismo da nossa economia. Cada viagem corporativa ativa uma engrenagem gigantesca, do transporte à hotelaria, da gastronomia ao setor de eventos”, afirmou.

Seguro-viagem e transfer crescem acima da média

Embora representem uma parcela menor do faturamento total, alguns serviços complementares registraram crescimento muito superior à média do mercado.

No acumulado entre janeiro e julho, o seguro-viagem movimentou R$ 23,1 milhões e apresentou crescimento de 64,6%.

Os serviços de transfer chegaram a R$ 44,4 milhões, também com forte expansão.

Os números ajudam a mostrar uma característica do turismo corporativo: uma única viagem pode gerar receitas para diferentes empresas, começando pela passagem e hospedagem e chegando ao deslocamento terrestre e serviços de proteção ao viajante.

Julho movimentou R$ 1,26 bilhão

Somente em julho, as viagens corporativas movimentaram R$ 1,26 bilhão, crescimento de 2,17% em comparação com os R$ 1,23 bilhão registrados no mesmo mês de 2025.

Mais uma vez, o transporte aéreo liderou.

As passagens movimentaram cerca de R$ 750 milhões no mês, aproximadamente 59,6% do faturamento total e 7,06% acima do resultado de julho do ano passado.

A hotelaria movimentou cerca de R$ 382,7 milhões no mês. Apesar do crescimento registrado no acumulado do ano, o faturamento de julho ficou praticamente estável em relação a 2025.

Já transfer e seguro-viagem ficaram entre os serviços com maior crescimento percentual no mês.

Brasil pode crescer acima dos grandes mercados globais

O avanço registrado pela Abracorp ocorre em um momento em que o Brasil também ganha espaço nas projeções internacionais para viagens corporativas.

O 2026 Business Travel Index, da Global Business Travel Association, estima crescimento de 13,8% dos gastos com viagens de negócios no país neste ano.

A projeção é a maior entre os 15 principais mercados globais analisados pela entidade e supera a expansão esperada para o mercado mundial.

Segundo a GBTA, as viagens corporativas devem movimentar US$ 1,71 trilhão globalmente em 2026, crescimento de 7,2%.

No Brasil, a projeção é de US$ 35,8 bilhões em gastos ao longo do ano, mantendo o país na décima posição entre os maiores mercados mundiais de viagens corporativas.

Os números da GBTA utilizam metodologia diferente do levantamento da Abracorp e, por isso, não podem ser comparados diretamente com os R$ 8,44 bilhões registrados pelas empresas acompanhadas pela associação brasileira.

Viagem corporativa continua relevante mesmo após avanço das reuniões virtuais

O desempenho também mostra que a expansão das videoconferências e do trabalho remoto não eliminou a necessidade de deslocamentos profissionais.

As empresas passaram a contar com ferramentas capazes de substituir parte das reuniões presenciais, enquanto a inteligência artificial amplia ainda mais as possibilidades de colaboração e comunicação a distância.

Ainda assim, viagens relacionadas a feiras, congressos, negociações, visitas a clientes, treinamentos e encontros empresariais continuam movimentando bilhões.

O comportamento sugere que o mercado não voltou simplesmente ao modelo anterior à popularização do trabalho remoto. As viagens corporativas passam a conviver com reuniões virtuais e tendem a ser utilizadas principalmente quando a presença física agrega valor à relação profissional.

Para destinos que concentram feiras, congressos e grandes eventos empresariais, o avanço também representa oportunidades para hotéis, restaurantes, centros de convenções, empresas de transporte e toda a cadeia de serviços ligada ao visitante de negócios.

Com recorde de faturamento nos primeiros sete meses e a maior projeção de crescimento entre os principais mercados globais, 2026 reforça o peso das viagens corporativas dentro da economia do turismo brasileiro.

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