Transformação humana e o impacto das máquinas: Marcelo Gleiser no Rio Innovation Week

Curador da conferência Ciência para Todos afirma que futuro da humanidade está na Terra e recebe o especialista em computação quântica James Daniel Whitfield

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O futuro da humanidade não está no espaço, mas aqui na Terra mesmo, e muitos recursos reservados para explorar outros mundos deveriam se voltar para preservar o que temos.

A afirmação foi feita pelo físico e cientista Marcelo Gleiser, na palestra “O futuro é ético? Ciência, humanidade e as escolhas que nos esperam”, na manhã desta quarta-feira, 14 de agosto, na Plenária do Rio Innovation Week. Curador da Conferência Ciência para Todos, Gleiser tem se destacado na popularização do conhecimento científico.

“Tem bilionários dizendo que o futuro da humanidade está em outros mundos, no espaço. O problema é que esse sonho é totalmente absurdo, completamente impossível de ser realizado em milhares e milhares de anos. Nós evoluímos para ficar aqui, não para ir para o outro mundo”, afirmou Gleiser. “Se a gente usasse um décimo dos recursos que estão sendo usados na corrida espacial para resolver os problemas de saneamento, água, saúde, a gente não teria os mesmos problemas aqui.”

Para o físico, a ciência tem um lado luz e um lado sombra. Quando ela “se alia aos interesses do capital e do Estado, ela serve às empresas e ao governo.”

A palestra foi guiada pelo questionamento sobre como preservar a nossa humanidade numa sociedade cada vez mais tecnológica. Gleiser fez um breve resumo da história da humanidade para então sugerir questionamentos sobre o futuro ético dos seres humanos e da ciência, propondo reflexões críticas sobre os principais avanços científicos e tecnológicos da atualidade.

A ciência leva a novas discussões. “O que a gente considera humanidade está em transformação. Pela primeira vez na história da humanidade, as máquinas não só nos servem, como também nos transformam”, afirmou Gleiser.

Computação quântica não substituirá IA

Pouco depois, Gleiser recebeu James Daniel Whitfield, especialista em computação quântica da Dartmouth College. Além de ser uma das maiores referências globais sobre o tema, o pesquisador negro norte-americano se tornou símbolo internacional do ativismo acadêmico ao defender a diversidade no meio. Durante a palestra “Computação quântica agora: O futuro está sendo codificado”.

A computação quântica é um campo emergente, que utiliza as características da mecânica quântica para resolver problemas inalcançáveis por computadores clássicos, podendo acelerar tarefas extremamente complexas em minutos ou horas. James buscou explicar o básico da computação quântica  para um público leigo, com exemplos práticos e metáforas. Ele comparou a computação quântica com os testes de colisão em carros. É como uma simulação para ver as possibilidades do que pode acontecer a depender dos fatores.

Whitfield explicou ainda as diferenças entre computação quântica e Inteligência Artificial.

James Daniel Withfield (Crédito: Ag. Enquadrar/Divulgação)RIW

“O que temos que fazer é treinar os sistemas, para obter dados melhores e IAs melhores. A inteligência artificial aprende com os dados que nós damos a ela. Já a computação quântica gera os dados. A computação quântica não vai substituir as IAs, elas serão treinadas por computadores quânticos, não substituídas”, disse.

“A ideia é fazermos experimentações suficientes para aprender tudo o que podemos aprender até não precisarmos mais fazer simulações quânticas em computadores. A questão é que ainda não conseguimos fazer as simulações com perfeição e estamos treinando o sistema”, afirmou Whitfield.

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