O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) absolveu, nesta quinta-feira (15), o volante Erick Pulgar, do Flamengo, e o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro. Os dois foram julgados pela 4ª Comissão Disciplinar por episódios relacionados ao clássico disputado no último domingo (11), no Maracanã, que terminou com vitória rubro-negra por 1 a 0, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Apesar de responderem por infrações diferentes, ambos escaparam de punições. O jogador chileno foi absolvido por unanimidade, enquanto o dirigente tricolor teve a absolvição determinada por maioria dos votos. As decisões foram tomadas em primeira instância e ainda podem ser contestadas por meio de recurso ao Pleno do STJD.
Presidente do Fluminense critica arbitragem após derrota no Fla-Flu: “Um lixo”
Pulgar escapa de suspensão por entrada em Castillo
A denúncia contra Erick Pulgar teve origem em uma disputa de bola aos 30 minutos do primeiro tempo. Na ocasião, o volante chegou atrasado e atingiu o joelho do atacante Rodrigo Castillo com a sola da chuteira. O árbitro Rafael Klein aplicou cartão amarelo, decisão que provocou reclamações dos jogadores e da comissão técnica do Fluminense.
O chileno foi enquadrado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata da prática de jogada violenta. Caso fosse condenado, poderia receber uma suspensão de uma a seis partidas.
Durante o julgamento, a defesa do atleta argumentou que o lance já havia sido analisado pela equipe de arbitragem e que não existiam elementos suficientes para justificar uma nova punição na esfera desportiva.
O relator Gabriel da Fonseca acompanhou esse entendimento, considerando que a Justiça Desportiva deveria respeitar, naquele caso, a avaliação realizada dentro de campo. Os demais auditores seguiram o voto, garantindo a absolvição por unanimidade.
Com o resultado, Pulgar não terá de cumprir suspensão decorrente da denúncia e permanece à disposição do Flamengo, salvo eventual mudança da decisão em recurso.
Presidente do Fluminense também é absolvido
Mattheus Montenegro foi denunciado pelas declarações feitas após o clássico. Insatisfeito principalmente com a não expulsão de Pulgar, o presidente tricolor criticou duramente a atuação de Rafael Klein e do responsável pelo VAR, Daniel Bins.
Na ocasião, Montenegro classificou a arbitragem como “um lixo” e “uma merda”, além de questionar a atuação do árbitro de vídeo no lance envolvendo o volante flamenguista.
As declarações motivaram o enquadramento do dirigente no artigo 258, parágrafo segundo, inciso II, do CBJD, relacionado a reclamações desrespeitosas contra membros da equipe de arbitragem. A punição poderia variar de 15 a 180 dias de suspensão.
Durante a sessão, a defesa sustentou que, apesar da linguagem utilizada, o presidente havia manifestado insatisfação com decisões tomadas durante a partida, sem atacar diretamente a honra ou a integridade dos árbitros.
O argumento foi acolhido pela maioria dos auditores. O relator Gabriel da Fonseca considerou que as manifestações estavam protegidas pelo direito à liberdade de expressão, mesmo reconhecendo que o dirigente poderia ter escolhido outras palavras.
A decisão, porém, não foi unânime. O presidente em exercício da Comissão, Caio Barros, apresentou voto divergente, defendendo a aplicação de uma punição mínima convertida em advertência. Prevaleceu, entretanto, o entendimento favorável à absolvição de Montenegro.
Decisões ainda podem ser revistas
Embora os julgamentos tenham terminado sem punições, os dois processos ainda não estão definitivamente encerrados. Como as absolvições ocorreram na 4ª Comissão Disciplinar, a Procuradoria pode apresentar recurso ao Pleno do STJD, última instância da Justiça Desportiva brasileira.
O resultado representa um desfecho favorável para Flamengo e Fluminense fora das quatro linhas. Enquanto o Rubro-Negro evita perder um de seus jogadores por suspensão, o Tricolor mantém seu presidente livre de sanções disciplinares pelas declarações após o clássico.

