O mercado financeiro já olha para 2027 como um ano em que o ciclo de queda da Selic pode ganhar força. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, divulgado em maio, a taxa básica de juros era projetada para encerrar 2027 em torno de 11,25% ao ano, abaixo dos mais de 14% praticados ao longo de 2026. Projeções de outras instituições do setor são ainda mais otimistas e apontam para uma Selic abaixo de 10,5% no próximo ano.
A perspectiva aumenta a expectativa de reaquecimento do crédito habitacional. Com juros mais baixos, o custo do financiamento tende a cair, e famílias que adiaram a compra de um imóvel durante o período de Selic elevada podem voltar a considerar o mercado em 2027.
Em ciclos de queda dos juros, a redução do custo do crédito tende a ampliar a capacidade de compra e pode favorecer a retomada da demanda por imóveis.
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Crédito habitacional ainda exige cautela
O otimismo, no entanto, é moderado. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) alerta que o limite de 12% ao ano previsto para operações enquadradas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) pode se tornar um desafio caso os juros de mercado permaneçam elevados na entrada de 2027.
Para a entidade, se as taxas de juros de longo prazo continuarem em patamares elevados, o cenário poderá ser mais desafiador para quem pretende financiar imóveis de médio e alto padrão no início do próximo ano.
Esse possível descompasso entre a queda da Selic e o custo efetivo do financiamento é um dos pontos que devem pautar o mercado imobiliário nos próximos meses.
Zona Sul do Rio tem dinâmica própria
Na Zona Sul do Rio de Janeiro, o comportamento do investidor ganha peso adicional. Na região, o público costuma recorrer menos ao financiamento e realizar mais compras à vista, fazendo com que as decisões de investimento sejam tão relevantes para o mercado quanto o comportamento das taxas de juros.
Outro movimento observado pelo setor é a possível antecipação dos investidores.
Enquanto os fundos imobiliários (FIIs) já precificam parte da expectativa de queda dos juros na bolsa, o mercado físico tende a reagir com alguma defasagem. Esse intervalo pode representar uma janela de oportunidade para quem se planeja com antecedência.
Segundo Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária, ainda não há uma mudança brusca no comportamento dos compradores, mas alguns sinais de antecipação começam a aparecer.
“A gente ainda não percebe uma mudança brusca de comportamento por conta das projeções para 2027, mas já existe uma postura mais estratégica por parte de alguns compradores. São pessoas que estão começando a antecipar decisões, entendendo que, se o cenário de juros realmente melhorar, o ambiente de negociação pode ficar mais competitivo. Na Zona Sul, esse movimento é ainda mais interessante porque estamos falando de um público que muitas vezes tem maior capacidade de compra à vista ou de dar uma entrada elevada.”
2027 pode ser um ano de transição
Com o Banco Central sinalizando cautela e o mercado dividido entre projeções mais e menos otimistas, 2027 é visto como um possível ano de transição para o setor.
A expectativa de juros mais baixos, porém, já começa a entrar nas decisões de quem avalia comprar ou investir em imóveis no Rio de Janeiro.
O comportamento da Selic e, principalmente, a velocidade com que uma eventual redução dos juros chegará às condições de financiamento serão determinantes para saber se essa expectativa se transformará efetivamente em aumento da demanda.


