A construção da estrutura tecnológica que sustenta o mercado de apostas esportivas no Brasil foi tema de debate no SBC Summit Rio, que reuniu autoridades públicas, especialistas em tecnologia e representantes das operadoras.
A conferência “A Construção da Infraestrutura Digital no Mercado Brasileiro Regulado” discutiu como sistemas de monitoramento, regulamentação e novas ferramentas digitais estão sendo utilizados para fiscalizar o setor e ampliar a proteção aos apostadores.
O painel contou com a participação de Fábio Macorin, subsecretário de Monitoramento e Fiscalização do Ministério da Fazenda; Elaine Kato, superintendente de Negócios do Serpro; Lívia Troise, CIO da Casa de Aposta; e Joelson Vellozo Jr., diretor de Políticas Públicas da Unico.
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Durante a conferência, Fábio Macorin apresentou o Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP), plataforma criada para centralizar informações do mercado e ampliar a capacidade de fiscalização do governo. O sistema foi desenvolvido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Segundo o subsecretário, o SIGAP possui quatro módulos principais.
- O primeiro é o de Autorização, responsável por regular a entrada de novos operadores no mercado.
- O segundo é o de Recepção, no qual as operadoras autorizadas enviam diariamente dados sobre suas atividades.
- O terceiro é o de Monitoramento, que permite uma análise macro e individualizada das operações.
- Já o quarto módulo, chamado de Impedidos, realiza consultas automatizadas para verificar se um CPF está autorizado ou não a apostar.
Macorin destacou ainda o mecanismo de autoexclusão disponível no sistema.
“E hoje nós temos aqueles que se cadastraram e fizeram a ‘Autoexclusão’, com mais de 300 mil registros em menos de 5 meses. Um site onde caso a pessoa que não sinta vontade de apostar, ela faz o cadastro pelo gov.br, define qual período de exclusão e o motivo”, explicou.
O módulo também inclui o bloqueio automático para beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família.
Representando o Serpro, Elaine Kato explicou que a estatal de tecnologia foi responsável pelo desenvolvimento da plataforma. Segundo ela, o SIGAP foi criado em 2025 utilizando tecnologias recentes para lidar com o grande volume de dados gerados pelo setor.
De acordo com a executiva, o sistema já registrou mais de 200 bilhões de registros em sua base de dados apenas no primeiro ano de operação, reforçando a necessidade de ferramentas robustas de monitoramento.
Na perspectiva das operadoras, Lívia Troise destacou os desafios enfrentados pelas empresas na adaptação às novas regras e prazos do mercado regulado. Segundo ela, a implementação das exigências ocorreu de forma simultânea, exigindo ajustes rápidos por parte das companhias.
A executiva também mencionou a dificuldade de mudar a percepção do público em relação ao setor, que ainda enfrenta resistência devido à presença de operadores ilegais no país.
Troise ressaltou ainda a importância de mecanismos internos de monitoramento por parte das empresas, capazes de identificar comportamentos de risco e proteger os apostadores.
Já Joelson Vellozo Jr. abordou as regulamentações relacionadas às transações B2B (Business to Business), que envolvem relações comerciais entre empresas do setor. Ele destacou que esse modelo envolve contratos de longo prazo, maiores volumes financeiros e exigências jurídicas mais rigorosas.
Ao final, a conferência destacou diferentes perspectivas sobre o mercado de apostas no Brasil, reunindo operadores, especialistas em tecnologia e autoridades públicas.
O debate reforçou a importância da regulamentação para garantir segurança aos usuários e, ao mesmo tempo, estruturar um mercado que tende a crescer nos próximos anos.
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