A Prefeitura do Rio de Janeiro suspendeu as aulas da rede pública municipal nesta sexta-feira, 7 de agosto, devido à previsão de ventos fortes na cidade. As rajadas podem ultrapassar os 90 km/h, aumentando o risco de quedas de árvores, postes, placas e outras estruturas.
As aulas presenciais da rede estadual e das unidades da Fundação de Apoio à Escola Técnica, a Faetec, também foram suspensas. A medida busca reduzir os deslocamentos de estudantes, professores e funcionários durante o período de maior instabilidade meteorológica.
A cidade entrou no Estágio 2 às 19h05 de quinta-feira (6), após o Centro de Operações e Resiliência do Rio identificar a possibilidade de intensificação dos ventos. Esse estágio indica risco de ocorrências de alto impacto em pelo menos uma região do município.
Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a suspensão tem caráter preventivo e pretende proteger a comunidade escolar, além de diminuir a circulação de pessoas pela cidade.
Municípios como Angra dos Reis e Paraty, na Costa Verde, também anunciaram mudanças no funcionamento das escolas diante da previsão de condições meteorológicas adversas.
Ciclone provoca instabilidade no Sul e no Sudeste
Os ventos previstos para o Rio estão relacionados ao avanço de uma frente fria e aos efeitos de um ciclone extratropical que se formou entre a Argentina, o Uruguai, a Região Sul do Brasil e o Oceano Atlântico.
O sistema passou por um processo de rápida intensificação, conhecido como ciclogênese explosiva ou “ciclone-bomba”. O fenômeno ocorre quando a pressão atmosférica no centro do ciclone cai rapidamente, favorecendo a formação de tempestades, ventos intensos e ondas elevadas no litoral.
O Instituto Nacional de Meteorologia alertou para tempestades, queda de granizo e fortes rajadas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Os efeitos do sistema também alcançam áreas do sul de Mato Grosso do Sul e de São Paulo, antes do avanço da frente fria pelo Sudeste.
No estado de São Paulo, empresas de distribuição de energia acionaram planos de contingência diante da possibilidade de quedas de árvores, danos à rede elétrica e interrupções no fornecimento de energia.
No Rio de Janeiro, o principal risco está associado à ventania, especialmente em áreas abertas, regiões litorâneas, locais com árvores e vias próximas a estruturas temporárias ou objetos que possam ser carregados pelo vento.
Mais um tornado é confirmado no Rio Grande do Sul
A passagem das tempestades pelo Sul do país também provocou uma situação considerada fora da rotina. A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou a ocorrência de um tornado no município de Pedro Osório, na região sul do estado, no fim da tarde de quinta-feira.
O fenômeno aconteceu por volta das 17h15 e atingiu a região de Matarazzo. De acordo com o Centro de Monitoramento da Defesa Civil, o tornado estava associado a uma supercélula, tipo de tempestade que apresenta movimento de rotação e pode provocar granizo, rajadas destrutivas e tornados.
Vídeos gravados por moradores ajudaram na confirmação do fenômeno. Houve registros de destelhamentos, enquanto equipes locais foram mobilizadas para avaliar os danos.
Esse foi o segundo tornado confirmado pela Defesa Civil gaúcha em um intervalo de nove dias. No dia 28 de julho, outro tornado atingiu principalmente Giruá, além de áreas de Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no noroeste do estado. Ao menos quatro pessoas ficaram feridas, e casas e outras construções foram danificadas.
Ainda na noite de quinta-feira, a Defesa Civil enviou um alerta vermelho por meio do sistema Cell Broadcast para Porto Alegre e municípios da Região Metropolitana. O aviso apontava risco de tempestade, alagamentos e ventos acima de 90 km/h.
Sequência de fenômenos chama atenção
Embora tornados não sejam desconhecidos no Sul do Brasil, a confirmação de dois episódios em pouco mais de uma semana chama atenção para a intensidade das tempestades registradas na região.
A combinação de ar quente e úmido, mudanças bruscas na direção e na velocidade dos ventos e a atuação de áreas de baixa pressão favorece a formação de tempestades severas. Nem toda tempestade produz um tornado, mas supercélulas apresentam condições mais propícias para esse tipo de fenômeno.
A sequência de ocorrências reforça a necessidade de acompanhar os alertas emitidos pelos órgãos oficiais. No caso de ventos fortes, a recomendação é evitar áreas arborizadas, estruturas metálicas, praias, mar aberto e locais próximos a placas, andaimes ou objetos que possam se desprender.
Dentro de casa, a população deve manter distância de janelas e evitar permanecer em cômodos com telhados frágeis. Também não é recomendado estacionar veículos próximos a árvores, postes ou painéis publicitários.
As autoridades do Rio continuarão monitorando as condições meteorológicas ao longo desta sexta-feira. Novas medidas poderão ser tomadas caso a previsão de ventos fortes seja mantida ou agravada.


