Uma missão 100% brasileira de cientistas-astronautas levará organoides cerebrais, conhecidos como “mini cérebros” e cultivados em laboratório, para a órbita terrestre.
O projeto, liderado pelo neurocientista Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, pretende utilizar a microgravidade para acelerar o envelhecimento desses modelos e decifrar mecanismos de doenças como Alzheimer, autismo e síndrome de Rett, um distúrbio neurológico raro que compromete o desenvolvimento motor e cognitivo.
Segundo Muotri, estudar um cérebro com Alzheimer na Terra pode levar 70 ou 80 anos. No ambiente espacial, esse processo pode ser drasticamente reduzido. O cientista já recruta pacientes brasileiros com síndrome de Rett para testar terapias experimentais que, em laboratório, reverteram características associadas à doença.
“Reconstruir o cérebro em laboratório não é igual a construir um cérebro no útero humano. E fica a pergunta ética: será que esses mini cérebros são conscientes como o cérebro humano?”, questionou o pesquisador.
A motivação de Muotri vem de sua experiência pessoal: ele é pai de um menino com autismo severo. Para ele, a ciência espacial pode trazer respostas em tempo recorde para questões que, até pouco tempo atrás, pareciam inalcançáveis.
O projeto conta com investimento de US$ 150 milhões do filantropo norte-americano Denny Sanford, fundador do First Premier Bank, e promete abrir novas fronteiras na medicina regenerativa.
Astrobiologia: a busca por vida fora da Terra
Outro destaque do evento foi a participação do físico e astrônomo Adam Frank, referência internacional em Astrobiologia. Com abordagem científica, Frank discutiu a possibilidade de existência de vida extraterrestre, tema que, segundo ele, acompanha a humanidade desde a Grécia Antiga, nos tempos de Aristóteles e Demócrito.
Apesar da longa história da pergunta “estamos sozinhos no universo?”, a astrobiologia só começou a se consolidar na década de 1950. Entre os pontos de virada, o cientista citou o Paradoxo de Fermi, que questiona por que, se a vida inteligente é comum, ainda não encontramos evidências de outras civilizações.
A descoberta de exoplanetas a partir de 1995 também revolucionou a área. “Todas as estrelas têm planetas e já são mais de 6 mil exoplanetas confirmados. Uma em cada cinco estrelas está em zona habitável”, destacou.
Frank explicou ainda o papel das bioassinaturas — gases na atmosfera de outros planetas que podem indicar vida — e reforçou que descobrir formas de vida fora da Terra seria uma das maiores conquistas científicas da humanidade.


