Kraken: O Terror no Mar acompanha Viktor Voronin, um comandante russo que parte em busca do irmão, Sasha, desaparecido após um naufrágio. Ao lado de seus marinheiros, ele embarca em uma missão arriscada para localizar o submarino e descobrir o que aconteceu com a tripulação.
Durante as buscas, Viktor e sua equipe descobrem que há algo muito mais perigoso escondido nas profundezas: uma criatura gigantesca capaz de destruir embarcações e transformar a operação de resgate em uma luta pela sobrevivência.
Dirigido por Nikolay Lebedev, Kraken: O Terror no Mar pode ser considerado um dos destaques do ano dentro do gênero. O filme consegue prender a atenção desde os primeiros minutos e constrói uma atmosfera de tensão que desperta a curiosidade sobre o que acontecerá a seguir.
A primeira aparição do Kraken é um dos grandes momentos do longa. O monstro marinho surge de maneira assustadora e consegue transmitir a sensação de perigo não apenas aos personagens, mas também a quem está assistindo. A sequência me fez lembrar de Anaconda, clássico de 1997, principalmente pela maneira como a criatura passa a determinar o comportamento de todos ao seu redor.
A atmosfera de ameaça constante também funciona muito bem. Em diversos momentos, temos a impressão de que aquela pode ser a última viagem dos marinheiros e de que qualquer erro poderá provocar uma tragédia. Uma das sequências mais tensas acontece quando a tripulação precisa permanecer em silêncio para evitar chamar a atenção da criatura, que consegue identificar ruídos no oceano.
Quando o Kraken percebe a presença do submarino e parte em sua direção, a tensão aumenta consideravelmente. É justamente nesses momentos que o filme demonstra uma de suas maiores qualidades: mesmo utilizando elementos conhecidos das produções sobre criaturas marinhas, consegue fazer com que o espectador se preocupe com o destino dos personagens.

Mais do que um filme de monstro
Apesar de o Kraken ocupar naturalmente o centro das atenções, o longa também encontra espaço para desenvolver a relação entre Viktor e Sasha.
Desde o início, fica evidente que os irmãos carregam ressentimentos e que a relação entre eles estava abalada antes do desaparecimento. Viktor, no entanto, ainda acredita que Sasha possa estar vivo, e essa esperança se transforma em uma das principais motivações para que ele continue a missão.
Essa relação acrescenta uma camada emocional importante à história. O filme não depende apenas da ameaça representada pela criatura para provocar tensão. Há também conflitos familiares, culpa, ressentimento e a possibilidade de reconciliação diante de uma situação extrema.
É justamente essa combinação que faz Kraken: O Terror no Mar funcionar tão bem. O longa entrega aquilo que se espera de uma produção sobre uma criatura gigantesca, com tensão, perigo e sequências no fundo do oceano, mas encontra espaço para construir personagens pelos quais o público consegue torcer.
Sem revelar o desfecho, posso dizer que a parte final foi especialmente emocionante. A relação entre Viktor e Sasha ganha ainda mais importância, enquanto a missão chega ao seu momento mais perigoso.
Talvez eu seja emotiva demais, mas admito: chorei.
Kraken: O Terror no Mar conseguiu me surpreender. Entrei esperando uma aventura envolvendo uma criatura marinha gigantesca e encontrei também uma história sobre família, ressentimento e esperança. Com boas sequências de tensão e um monstro capaz de realmente causar medo, o filme se tornou, para mim, uma das boas surpresas do ano.
O momento em que eles colocam toda a mágoa para fora e fazem as pazes, em um instante em que ambos poderiam morrer, foi sem dúvida comovente. Não sei se sou emotiva demais, porém admito que cheguei a chorar no final, pois todos tiveram um desfecho feliz.


