O Brasil ainda enfrenta grandes desafios no campo da educação e da empregabilidade juvenil. De acordo com o relatório Education at a Glance 2025, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 24% dos jovens de 18 a 24 anos no país não estudam nem trabalham, índice quase o dobro da média da OCDE, que é de 14%.
Embora tenha havido queda em relação a 2019, quando o índice era de 30%, o dado continua preocupante. Além disso, o estudo aponta uma forte desigualdade de gênero: 29% das mulheres brasileiras estão nessa condição contra 19% dos homens, enquanto em outros países da OCDE essa diferença é pouco significativa.
Desigualdade de renda e impacto da escolaridade
A disparidade também é evidente no mercado de trabalho. Brasileiros de 25 a 64 anos com diploma de ensino superior ganham, em média, 148% a mais do que aqueles que concluíram apenas o ensino médio. Essa diferença é quase três vezes maior que a registrada nos países da OCDE, onde o ganho adicional médio é de 54%.
Ensino superior: altas taxas de evasão
Outro ponto crítico é a evasão no ensino superior. No Brasil, um em cada quatro estudantes abandona a faculdade já no primeiro ano, contra 13% na média da OCDE. Além disso, apenas 49% conseguem concluir a graduação até três anos após o tempo previsto, enquanto a taxa internacional é de 70%. Como consequência, somente 24% dos jovens de 25 a 34 anos têm diploma universitário, bem abaixo da média da OCDE (49%).
Educação básica: carga horária e turmas menores
No ensino fundamental, os estudantes brasileiros têm 800 horas anuais obrigatórias, número inferior à média internacional (804 horas nos anos iniciais e 909 nos anos finais). Já o tamanho das turmas apresenta uma melhora: a média nacional caiu para 20 alunos por sala, abaixo da média da OCDE (20,6).
Investimento e sistema de ingresso no ensino superior
O Brasil destina US$ 3.762 por estudante ao ano — cerca de um terço do valor médio aplicado pelos países da OCDE. Entretanto, quando comparado ao PIB, o investimento brasileiro representa 4,3% da economia, acima da média internacional de 3,6%.
Na entrada para a universidade, o país se destaca pelo modelo misto de seleção: combina um sistema centralizado, como o SISU (que utiliza a nota do Enem), com processos seletivos próprios de cada instituição. Apenas Austrália, Coreia, Lituânia e Portugal também adotam esse formato.
Um retrato de contrastes
O relatório mostra que, apesar de avanços pontuais, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para alinhar sua educação aos padrões internacionais. A elevada taxa de jovens que não estudam nem trabalham, somada à desigualdade de renda e à baixa conclusão no ensino superior, reforça a urgência de políticas públicas que ampliem oportunidades e garantam melhores condições de acesso e permanência na educação.


