Portela escolhe samba de Wanderley Monteiro para homenagear Monarco no Carnaval 2027

Parceria venceu disputa iniciada com 36 obras e mais de 200 compositores; final na quadra reuniu mais de 7 mil pessoas

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A Portela já tem o samba que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027. Passava das 5h da manhã deste domingo (6) quando a escola anunciou a vitória da parceria de Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Orlando Ambrosio, W. Correa e Rafael Gigante.

A obra será a trilha do enredo “Ao mestre, com carinho”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros em homenagem a Monarco, um dos maiores nomes da história da Azul e Branco de Oswaldo Cruz e Madureira.

A final reuniu mais de 7 mil pessoas na quadra da Portela e colocou frente a frente três sambas. Além da parceria vencedora, chegaram à decisão as obras lideradas por Jorge do Batuke e Cecília Cruz. Ao todo, a disputa começou com 36 sambas e mais de 200 compositores.

Wanderley Monteiro chega à nona vitória na Portela

O resultado amplia a trajetória de Wanderley Monteiro nas disputas de samba-enredo da Portela. Esta é a nona vez que o compositor integra uma parceria vencedora na escola.

Antes de 2027, Wanderley havia conquistado as disputas para os carnavais de 2009, 2011, 2012, 2013, 2016, 2022, 2023 e 2024.

Vinicius Ferreira e Rafael Gigante chegam à quinta vitória na Portela. Jefferson Oliveira alcança a quarta conquista e Hélio Porto, a terceira. Orlando Ambrosio e W. Correa vencem pela primeira vez uma disputa de samba-enredo na Azul e Branco.

“Antes da final, eu disse que o coração ia sair pela boca. Agora, depois desse resultado, é difícil explicar o que estou sentindo. Monarco é o nosso mestre e uma referência para todos nós. Vencer um samba que vai contar a história dele e chegar à minha nona vitória na Portela é uma honra imensa”, afirmou Wanderley.

O compositor também destacou a participação dos portelenses durante a disputa.

“Esse resultado é de toda a parceria e da comunidade, que cantou com a gente até o fim”, completou.

Final virou uma grande homenagem a Monarco

A escolha do samba foi acompanhada por uma programação dedicada à trajetória de Monarco e à própria história da Portela. A escola distribuiu ao público mil chapéus-panamá e mil rosas brancas, em referência à imagem e à elegância que marcaram o sambista.

A noite começou com uma roda de samba dos Crias da Jaqueira realizada no meio da quadra. Depois, a escola apresentou o musical “Transversal do tempo”, dividido em sete cenas.

O espetáculo percorreu diferentes momentos da vida de Monarco, passando por sua chegada ao samba, a relação com as novas gerações, a história de amor com Olinda, sua passagem pela Unidos do Jacarezinho, a dedicação à Velha Guarda e a ligação construída com o mundo do samba.

O encerramento aconteceu em clima de gafieira, ao som de “Vai Vadiar”, com pandeiros, malandros, casais e a presença do pavilhão portelense.

Sambas históricos embalaram a quadra

A memória dos carnavais da Portela também ganhou espaço durante a festa. Com Bruno Ribas e o carro de som da escola, o público relembrou sambas como “Portela na Avenida”, “Tributo à Vaidade”, “Lendas e Mistérios da Amazônia”, “Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de uma Noite”, “Gosto que Me Enrosco” e “Madureira Sobe o Pelô”.

Obras de carnavais mais recentes também fizeram parte do repertório, entre elas “Alodê, a Senhora da Amazônia”, “Na Madureira Moderníssima, Hei Sempre de Ouvir Cantar uma Sabiá”, “Quem Nunca Sentiu o Corpo Arrepiar ao Ver Esse Rio Passar” e “Um Defeito de Cor”.

A bateria Tabajara do Samba, comandada por Mestre Vitinho, participou da apresentação ao lado da rainha Bianca Monteiro. Também passaram pelo espetáculo os casais de mestre-sala e porta-bandeira, incluindo o primeiro casal, Squel Jorgea e Marlon Lamar, além da Velha Guarda Show, baianas, passistas, musas, cabrochas e outros segmentos.

Clara Nunes também foi lembrada durante a apresentação, enquanto “Maria, Maria” marcou uma homenagem às mulheres. Integrantes das equipes de harmonia das 12 escolas do Grupo Especial participaram da programação.

Portela levará Monarco para a Sapucaí em 2027

Nascido em 1933, Hildemar Diniz, o Monarco, cresceu em Oswaldo Cruz e entrou para a Ala de Compositores da Portela em 1950. Ao longo de décadas, tornou-se uma das principais referências da Velha Guarda e da tradição musical portelense.

Suas composições atravessaram gerações e foram gravadas por artistas como Paulinho da Viola, João Nogueira, Beth Carvalho, Roberto Ribeiro e Zeca Pagodinho.

Essa ligação entre Monarco e a memória da escola será o ponto de partida de “Ao mestre, com carinho”, enredo desenvolvido por Paulo Barros para o próximo Carnaval.

“O espetáculo mostrou que Monarco não está separado da história da Portela. Ele é um dos grandes fios que atravessam essa memória. Foi uma celebração do fundamento portelense e da escola que estamos construindo para 2027”, afirmou Camarão Netto, integrante da Direção de Carnaval.

Com samba definido, a Portela avança na preparação para transformar a homenagem a Monarco em desfile. Em 2027, a escola será a primeira a entrar na Marquês de Sapucaí na terça-feira de Carnaval.

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