Por que o brasileiro ainda acredita no hexa?

Após 24 anos sem título, ruas decoradas do Rio mostram que a esperança pelo hexa campeonato da seleção continua viva

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Faltam poucas horas para a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. Em diferentes regiões do Rio de Janeiro, moradores correm para finalizar os últimos detalhes de uma tradição que atravessa gerações.

Bandeirinhas são amarradas aos postes, pinturas recebem os retoques finais e ruas inteiras se transformam em grandes arquibancadas a céu aberto para acompanhar o primeiro jogo do Brasil no Mundial.

A cena se repete há décadas. E talvez ela ajude a responder uma pergunta que surge sempre que a Copa do Mundo se aproxima: por que o brasileiro ainda acredita no hexa?

Afinal, já são 24 anos sem levantar a taça

Desde o pentacampeonato, conquistado em 2002, a Seleção Brasileira acumulou eliminações que marcaram diferentes gerações. Mas basta a chegada do Mundial para algo mudar.

A tradição de enfeitar as ruas começou na década de 1960. Na época, nem todo brasileiro tinha acesso à televisão e, sem conseguir acompanhar os jogos de perto, os moradores encontraram uma forma própria de participar da festa.

Pintar o asfalto e pendurar bandeirinhas pelas ruas foram maneiras encontradas pela população para se sentir parte da Copa.

Décadas depois, muita coisa mudou. A forma de assistir aos jogos e até mesmo a relação entre a torcida e a Seleção ficaram diferentes.

Mas algumas tradições resistem

No Rio de Janeiro, a Prefeitura promove o concurso “Acreditar é uma Arte – O Rio nas Cores do Hexa”, que vai premiar as três ruas, vilas ou travessas mais criativas da cidade durante o Mundial.

O primeiro lugar receberá R$ 50 mil, o segundo R$ 30 mil e o terceiro R$ 20 mil. Além da premiação financeira, as 20 ruas finalistas receberão placas de reconhecimento cultural.

Rua Pereira Nunes

Em Vila Isabel, a Rua Pereira Nunes é um dos exemplos mais conhecidos dessa tradição.

Há 48 anos, moradores transformam a via em uma homenagem ao futebol. Neste ano, os desenhos espalhados pelo asfalto destacam os três países que sediam a Copa de 2026: Estados Unidos, Canadá e México.

Há também homenagens a nomes importantes do esporte, como Carlo Ancelotti, Zagallo e Vinícius Júnior.

Foto: Reprodução / Instagram da Pereira Nunes

Rocinha

Na Rocinha, a Via Ápia, principal via de acesso à comunidade, foi tomada pelo verde e amarelo, transformando centenas de metros de asfalto em uma grande galeria a céu aberto.

Rocinha – Crédito: Bruno Itan

Morro da Providência

No Morro da Providência, moradores e artistas convidados se uniram para colorir a Ladeira do Barroso, principal acesso à comunidade.

O trabalho coletivo transformou a rua em um espaço de celebração e mostrou como a chegada da Copa continua sendo capaz de mobilizar pessoas diferentes em torno de uma mesma ideia.

Rua Sacadura Cabral

Na região da Saúde, a escadaria da Rua Sacadura Cabral também ganhou novas cores.

A responsável pela pintura é Márcia Regina, que desde 1998 faz questão de homenagear o Brasil nos degraus da escada. A cada quatro anos, ela repete o ritual e ajuda a manter viva uma tradição que já faz parte da história do local.

A esperança do hexa continua morando nas ruas

Em um país que espera há mais de duas décadas pela sexta estrela, as ruas mostram que a esperança continua encontrando espaço.

Ela aparece quando vizinhos se reúnem para pintar uma calçada. Quando crianças observam os desenhos tomando forma. Quando histórias de outras Copas voltam a ser contadas.

Renovada a cada quatro anos, essa esperança mostra que, no Brasil, a Copa do Mundo nunca foi apenas sobre o que acontece dentro de campo. Ela também acontece nas ruas.

Talvez esse seja o principal motivo para o brasileiro continuar acreditando. No fim das contas, ser o país do futebol nunca foi apenas ganhar Copas, mas seguir esperando pela próxima como se fosse a primeira.

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