Batalha judicial: entenda o caso Rojo x Estudiantes e os precedentes que favorecem o Flamengo

Clube aciona a Conmebol cobrando punição ao time argentino pela escalação do zagueiro no Maracanã; entenda a cronologia e o histórico de sanções

​A eliminação em campo não encerrou a participação do Flamengo na Copa Libertadores. O clube acionou a Conmebol cobrando punição ao Estudiantes pela escalação indevida do zagueiro Marcos Rojo no jogo de volta das semifinais, disputado no Maracanã.

Abaixo, explicamos em detalhes como funciona essa disputa jurídica e quais casos históricos fundamentam a ação do Rubro-Negro.

Entenda a cronologia do caso Rojo x Estudiantes

•​O início de tudo: O processo não foi aberto pelo Flamengo. O Estudiantes tentou inscrever Marcos Rojo na vaga de um atleta lesionado.

•​A posição das entidades: A FIFA confirmou que as regras da janela de transferências são obrigatórias e sem exceções. Com isso, a Conmebol recusou a inscrição do zagueiro duas vezes antes da partida.

•​Recurso ao CAS: Diante das negativas, o clube argentino recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS/TAS) e indicou o Flamengo como parte do processo

•​Liminar com risco: O CAS concedeu liberação provisória para o atleta atuar, mas alertou que não blindaria o Estudiantes de eventuais punições disciplinares da Conmebol. Ou seja, o time argentino assumiu o risco ao colocá-lo em campo.

•​A postura do Flamengo: O Rubro-Negro agiu dentro do regulamento: avisou antes da partida que contestaria a presença de Rojo e protocolou a reclamação formal pós-jogo, respaldado pelo artigo 24.1.b do regulamento da entidade.

•​Objetivo institucional: A diretoria reforça que a medida visa garantir a igualdade no cumprimento das regras para todos os clubes, enquanto aguarda o julgamento final.

Flamengo e Estudiantes partida de volta no Maracanã semi final Libertadores foto:Gilvan de Souza/Flamengo

​Os precedentes históricos de punição da Conmebol

​Para requerer a vitória por 3 a 0 com base no Código Disciplinar da entidade, o Flamengo se apoia em casos nos quais a Conmebol aplicou punições severas por erros de escalação:

•​Chapecoense x Lanús (2017): A Chape venceu no campo, mas perdeu os pontos (placar de 3 a 0 para o Lanús) e acabou eliminada pela escalação do zagueiro Luiz Otávio, que estava suspenso.

•​Santos x Independiente (2018): O Peixe viu o empate por 0 a 0 virar derrota por 3 a 0 após o rival contestar a presença de Carlos Sánchez, que tinha uma suspensão antiga pendente na competição.

Foto: Marcos Ribolli

•​San Lorenzo x Deportes Temuco (2018): O San Lorenzo herdou a vitória por 3 a 0 na Sul-Americana porque o adversário usou Jonathan Requena, atleta inscrito por duas equipes na mesma edição do torneio.

•​Barcelona de Guayaquil x Defensor Sporting (2019): A Conmebol aceitou o protesto do Defensor e alterou o resultado da ida porque o Barcelona não registrou o CTI de Sebastián Pérez no prazo limite de 48 horas antes do jogo.

​Apoiado pelo rigor demonstrado pela Conmebol nesses episódios, o Flamengo aguarda o desfecho do processo nos tribunais na expectativa de reverter o resultado.

Nota oficial do Flamengo

O Clube de Regatas do Flamengo esclarece que não deu início a nenhum procedimento relativo à inscrição do atleta Marcos Rojo pelo Club Estudiantes de La Plata na CONMEBOL Libertadores 2026. Em 9 de outubro, o Estudiantes solicitou à CONMEBOL a inclusão do atleta em sua lista para a semifinal, em substituição a um jogador lesionado. O período de inscrições (“janela de transferências”) na Argentina estava encerrado desde 2 de setembro, e o atleta havia disputado partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro.

A CONMEBOL, organizadora da competição, que sempre zelou com rigor pelo cumprimento de seus regulamentos e pela integridade de seus torneios, analisou o pedido e consultou a FIFA. A FIFA esclareceu que suas regras sobre períodos de inscrição são de aplicação obrigatória também nas transferências nacionais e não admitem exceções além das previstas em seu regulamento. Com base nisso, a CONMEBOL recusou a substituição em 14 de outubro e manteve a recusa em 15 de outubro, ou seja, antes do jogo de volta da semifinal. Essas regras são de observância obrigatória por todas as associações e conhecidas e aceitas por todos os clubes ao se inscreverem no torneio. O Flamengo não participou de nenhuma dessas etapas.

Inconformado, o Estudiantes recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e indicou o Flamengo, seu adversário na semifinal, como parte no processo. Foi assim, em 16 de outubro, que o Flamengo foi chamado ao caso. Em 21 de outubro, o CAS autorizou provisoriamente a participação do atleta, mas negou o pedido do Estudiantes para afastar as consequências esportivas e disciplinares que possam decorrer da decisão final. Os riscos dessa escolha ficaram com o clube argentino e o jogador.

Chamado a integrar um processo que não iniciou, o Flamengo agiu apenas para preservar seus direitos. Antes da partida semifinal, informou ao CAS, em manifestação também comunicada ao Estudiantes, que, se o atleta fosse escalado, apresentaria a reclamação prevista no regulamento. O clube argentino, portanto, entrou em campo ciente dessa consequência, além do alerta já feito pelo próprio CAS. Após o jogo, o Flamengo apresentou a reclamação dentro do prazo, nos termos do artigo 24.1.b do Código Disciplinar da CONMEBOL, e pediu que o caso seja decidido antes da final da competição.

Portanto: (i) antes do jogo de volta da semifinal, a CONMEBOL, após consulta à FIFA, negou por duas vezes o pedido do Estudiantes para inscrever o atleta; (ii) foi o Estudiantes quem recorreu ao CAS para obter a liberação do atleta, incluindo o Flamengo como parte no processo; e, (iii) antes do jogo, o CAS negou ao Estudiantes a pretendida garantia de que a escalação do atleta não traria consequências esportivas e disciplinares.

Não se trata de buscar resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes, de todos os países. O Flamengo reitera seu profundo respeito ao CAS e à CONMEBOL, instituições cuja atuação é essencial para a integridade, a segurança jurídica e o equilíbrio do futebol internacional, bem como ao Estudiantes, clube de reconhecida tradição. Confiante na condução responsável e criteriosa do processo por parte da CONMEBOL, o Flamengo aguardará com serenidade a decisão final e a acolherá com o respeito institucional que sempre pautou sua atuação e que espera de todos os participantes.


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