Comprar uma passagem de ônibus no Brasil começa a ganhar um novo caminho: a conversa com uma inteligência artificial. A Buson afirma que já consegue comercializar bilhetes rodoviários por meio do ChatGPT, além de realizar vendas pelo WhatsApp.
A novidade faz parte de uma estratégia para disponibilizar passagens nos canais em que os consumidores começam a pesquisar suas viagens, sem depender apenas do site ou aplicativo da empresa.
“Hoje a gente consegue vender no ChatGPT, a gente vende hoje no WhatsApp”, afirmou Jefferson Inacio de Castro, diretor da Buson no Brasil, em entrevista à Exame.
A mudança acompanha o crescimento do uso de assistentes de inteligência artificial para pesquisar destinos, comparar alternativas e organizar viagens.
IA começa a entrar na compra de viagens
A estratégia da Buson representa uma mudança na forma como plataformas digitais disputam o consumidor.
Em vez de esperar que uma pessoa entre diretamente no site ou aplicativo para procurar uma passagem, a empresa quer disponibilizar informações sobre rotas, horários e assentos também em serviços de terceiros e interfaces de inteligência artificial.
Atualmente, a Buson trabalha com mais de 300 viações e informa possuir mais de 100 mil rotas disponíveis em sua plataforma. Pelo site tradicional, o passageiro pode pesquisar origem e destino, comparar horários e preços, selecionar a viação e a poltrona e finalizar o pagamento. A empresa aceita Pix e cartão.
Segundo Castro, cerca de 30% das passagens rodoviárias no Brasil já são comercializadas pela internet. A estimativa é da própria empresa.
Buson agora faz parte da Terra Mobility
A expansão ocorre em paralelo a uma reorganização do negócio.
A Buson, que nasceu no Brasil como Guichê Virtual, agora integra a Terra Mobility, grupo que reúne também a canadense Busbud, a chilena Recorrido e operações de tecnologia voltadas ao transporte terrestre.
A Terra Mobility recebeu financiamento de US$ 40 milhões — aproximadamente R$ 200 milhões — da Vista Credit Partners. Os recursos serão direcionados ao desenvolvimento de software, inteligência artificial e possíveis aquisições.
A estratégia também inclui o TerraOS, plataforma destinada às empresas de transporte para funções como emissão de bilhetes, controle de inventário, distribuição, comércio eletrônico, gestão de receita e previsão de demanda.
A aposta é que, no futuro, o passageiro não precise necessariamente começar uma viagem entrando no site de uma empresa de ônibus. A pesquisa pode surgir em uma conversa com uma inteligência artificial — e a passagem estar disponível no mesmo ambiente.


