Propina, pastel e polvo: palavras em espanhol que podem enganar brasileiros

Semelhança entre português e espanhol facilita a comunicação durante viagens, mas também esconde palavras com significados completamente diferentes

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Pedir um pastel e receber um bolo. Ouvir alguém falar em propina e descobrir que ninguém está tratando de suborno. E encontrar a palavra polvo sem que exista qualquer referência ao animal marinho.

Para brasileiros que viajam por países de língua espanhola, a proximidade entre os dois idiomas pode ajudar bastante na comunicação, mas também criar algumas armadilhas.

Palavras iguais ou muito semelhantes podem apresentar significados diferentes em português e espanhol. São os chamados falsos cognatos, popularmente conhecidos como “falsos amigos”.

Um estudo internacional da Universidade de Bucareste, na Romênia, publicado em 2026 pela Association for Computational Linguistics (ACL), analisou a proximidade entre português e espanhol e como as semelhanças entre os idiomas influenciam a compreensão.

A familiaridade pode ajudar quem nunca estudou espanhol a entender parte de uma conversa. O problema aparece quando o brasileiro pressupõe que basta adaptar palavras do português para conseguir falar o idioma.

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Propina não é propina

Alguns exemplos mostram como uma única palavra pode mudar completamente o sentido de uma conversa.

Em espanhol, propina pode significar gorjeta. Assim, quando alguém fala sobre deixar uma “propina” em um restaurante, não está necessariamente se referindo ao significado que a palavra possui no português brasileiro.

Outro exemplo é pastel, que pode ser utilizado para se referir a bolo em espanhol.

Já embarazada é um dos falsos cognatos mais conhecidos. Apesar da semelhança com “embaraçada”, a palavra significa grávida.

Apellido significa sobrenome, enquanto polvo pode significar pó ou poeira.

O significado e o uso de algumas palavras, porém, podem variar entre os diferentes países e regiões onde o espanhol é falado.

Semelhança pode criar falsa sensação de fluência

Para Reginaldo Kaeneêne, CEO e fundador da KNN Idiomas, a facilidade inicial de compreensão pode levar brasileiros a acreditarem que dominam o espanhol mais do que realmente dominam.

“É natural que o brasileiro consiga compreender parte de uma conversa mesmo sem ter estudado o idioma. O problema aparece quando essa semelhança leva a pessoa a concluir que falar espanhol é apenas adaptar o português”, explica.

Segundo ele, diferenças de vocabulário, pronúncia, construção das frases e significado podem alterar completamente uma mensagem.

Em uma viagem de lazer, o erro pode terminar em uma situação engraçada. Em ambientes profissionais, no entanto, a confusão pode provocar problemas de comunicação durante reuniões, negociações ou apresentações.

Você acertaria estas palavras em espanhol?

Veja alguns termos que podem confundir brasileiros:

  • Largo = comprido
  • Rato = um momento ou período curto de tempo
  • Escoba = vassoura
  • Fecha = data
  • Grasa = gordura
  • Vaso = copo
  • Taza = xícara ou caneca
  • Rubio = loiro
  • Basura = lixo

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