E se, por alguns instantes, as palavras dessem lugar às sensações? É a partir dessa provocação que o espetáculo “Orquestra do Sentir” chega ao palco do Teatro Solar Boa Vista, em Salvador, nos dias 29 e 30 de agosto, às 16h. A montagem utiliza a dança para explorar emoções, relações humanas, ritmos e encontros, convidando o público a experimentar a arte por meio do corpo, do olhar e das sensações.
Dirigido por Juliana Lima da Cruz Oliveira e Adiane Pita Oliveira, o espetáculo nasceu de uma parceria artística iniciada antes mesmo da criação da montagem. As duas já haviam trabalhado juntas em uma produção anterior, quando Adiane foi convidada por Juliana para declamar um poema.
A experiência abriu espaço para conversas sobre sentimentos, percepções e experiências cotidianas. “O nosso encontro artístico abriu espaço para conversas sobre sensação, emoção, relações, pensamentos e sobre aquilo que sentimos e, muitas vezes, deixamos de sentir no cotidiano”, explica Juliana.
Pela primeira vez, as artistas dividem a direção de um espetáculo. O resultado é uma obra que aposta tanto na potência do movimento quanto na força do silêncio. Em cena, a dança aparece como uma possibilidade de traduzir aquilo que nem sempre consegue ser expresso por palavras.
A proposta também dialoga com a rotina contemporânea e com a necessidade de encontrar momentos de pausa em meio ao cotidiano. No espetáculo, a quietude é apresentada como espaço de aprendizado, enquanto o movimento se transforma em uma forma de aproximação entre a arte e a experiência humana.
Além da dimensão artística, a trajetória das diretoras é marcada pelo compromisso com a inclusão e pela valorização de diferentes corpos e histórias.
Arte, inclusão e representatividade
Bailarina, coreógrafa, pedagoga e produtora cultural, Juliana Lima da Cruz Oliveira atua como professora de Ballet Infantil e para adultos. Entre seus trabalhos autorais estão os espetáculos Ciclo da Vida e Tempo de Brincar.
Sua produção artística também busca ampliar a participação de grupos historicamente afetados pelo preconceito, incluindo crianças, adultos, pessoas idosas e pessoas com deficiência. Para Juliana, a arte pode contribuir para processos de transformação e bem-estar físico e emocional.
Já Adiane Pita Oliveira é bailarina, escritora, palestrante motivacional e mãe. Autora do livro autobiográfico E Por Que Não?, transforma experiências de sua própria trajetória em inspiração para trabalhos artísticos e de comunicação.
Adiane também integra a Companhia de Dança Contemporânea Inclusiva C&A Aurora, onde atua como bailarina e diretora. A inclusão é um dos pilares de sua trajetória, que também se estende à produção de conteúdo para o canal “E Por Que Não?”.
Graduanda em Dança pela Faculdade Uniasselvi, Adiane ainda desenvolve atividades voluntárias e integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-BA).
Com diferentes trajetórias reunidas em uma mesma criação, “Orquestra do Sentir” propõe ao público uma experiência para além da observação. A intenção é que cada espectador possa estabelecer sua própria relação com aquilo que acontece no palco e descobrir quais sentidos podem surgir quando o corpo encontra na dança uma maneira de se expressar.


