Um novo projeto dedicado à música instrumental baiana estreia em Salvador no dia 18 de setembro tendo como ponto de partida a obra de um dos maiores compositores do estado. O espetáculo “Olorin toca Caymmi com Armandinho Macêdo” será apresentado às 20h, no Teatro Sesc Casa do Comércio, reunindo música, projeções audiovisuais e referências à cultura afro-baiana.
Idealizado pelos produtores Paulo Argolo e João Falcão Neto, o Olorin propõe novas leituras para a obra de Dorival Caymmi, com arranjos inéditos e participação especial de Armandinho Macêdo, um dos principais nomes da guitarra baiana.
A estreia em Salvador também funciona como ponto de partida para um projeto de maior alcance. Os produtores planejam levar o espetáculo para festivais e teatros no Brasil e no exterior, com perspectivas de apresentações em Cabo Verde, Portugal e Espanha.
Caymmi ganha novas leituras instrumentais
Em vez de reproduzir os arranjos que consagraram as músicas de Caymmi, o Olorin pretende utilizar sua obra como matéria-prima para novas construções instrumentais.

A guitarra baiana, o violão, o baixo, a percussão afro-brasileira e outros instrumentos dividem espaço com uma camada visual criada especialmente para a apresentação.
Durante o espetáculo, projeções desenvolvidas pelo VJ Gabiru, nome artístico de Davi Cavalcanti, serão integradas à execução das músicas. As imagens respondem às frequências sonoras e modificam a ambientação do palco ao longo da apresentação.
A proposta é fazer com que som e imagem funcionem conjuntamente, aproximando o formato tradicional de concerto instrumental de uma instalação audiovisual.
Por que começar por Dorival Caymmi?
A escolha de Caymmi para inaugurar o projeto está diretamente ligada à influência exercida pelo compositor sobre diferentes gerações da música brasileira.
Nascido em Salvador em 1914, Caymmi transformou em música elementos do cotidiano, do mar, dos pescadores, das religiões de matriz africana e da própria paisagem cultural da Bahia. Sua obra influenciou artistas como João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia.
No Olorin, esse repertório será revisitado a partir da linguagem de músicos contemporâneos da Bahia, mantendo referências às composições originais, mas incorporando outras possibilidades harmônicas, rítmicas e instrumentais.
O próprio nome do projeto reforça essa conexão. Segundo Paulo Argolo, da Girar Cultura & Entretenimento, Olorin foi escolhido a partir de uma palavra de origem iorubá associada, de maneira simplificada, à ideia de “dono da canção”.
“A etimologia da palavra, por si só, gera diversos significados que remetem à música, à festa manifesta, ao show, ao ritual”, explica Argolo.
Segundo o produtor, a intenção é utilizar o projeto também como uma plataforma para apresentar a produção musical e a identidade cultural da Bahia em outros territórios.
Armandinho aproxima gerações da música baiana
A participação de Armandinho Macêdo acrescenta ao espetáculo um instrumento diretamente associado à transformação da música produzida na Bahia: a guitarra baiana.
Armandinho construiu uma trajetória ligada ao instrumento criado a partir do chamado pau elétrico desenvolvido por Dodô e Osmar e tornou-se uma das principais referências de sua utilização.
No Olorin, sua participação cria uma ponte entre a obra de Caymmi e outras transformações ocorridas posteriormente na música baiana.
A direção musical é compartilhada por Cesário Leony, no baixo; Márcio Pereira, no violão; e Giba Conceição, na percussão.
O grupo ainda reúne Alexandre Vargas, responsável por guitarra, violão, bandolim e guitarra baiana, e as percussionistas Beatriz Sena e Géssica Omi.
Projeto baiano mira apresentações internacionais
A apresentação de setembro não foi pensada como um espetáculo isolado.
Depois da estreia em Salvador, os idealizadores pretendem iniciar um circuito por festivais e teatros e trabalham com a perspectiva de levar o Olorin ao exterior em 2027.
Entre os eventos mencionados pelos produtores estão a Atlantic Music Expo (AME) e o Kriol Jazz Festival, realizados em Cabo Verde. A expectativa é buscar participação nos eventos em abril de 2027.
Também estão nos planos apresentações futuras em cidades europeias como Lisboa, Coimbra, Madri e Barcelona.
As apresentações internacionais, no entanto, devem ser tratadas neste momento como planos do projeto, e não como datas confirmadas.
A proposta de longo prazo também prevê que o Olorin ultrapasse a obra de Caymmi. Com o desenvolvimento do projeto, outros compositores, repertórios e convidados poderão ser incorporados às apresentações, mantendo a música instrumental brasileira como eixo central.
Serviço
Olorin toca Caymmi com Armandinho Macêdo
Data: 18 de setembro de 2026
Horário: 20h
Local: Teatro Sesc Casa do Comércio, Salvadorolorim2
Ingressos: de R$ 40 a R$ 100 no primeiro lote
Vendas: bilheteria do Teatro Sesc Casa do Comércio e Sympla
Realização: Girar Cultura & Entretenimento


