Pessoas com autismo, TDAH, Síndrome de Down, Alzheimer, Parkinson ou fobia de dentista podem precisar de estratégias específicas para realizar tratamentos odontológicos com segurança e conforto. A abordagem considera as necessidades de cada paciente e pode envolver desde mudanças no ambiente do consultório até sedação e anestesia geral, quando houver indicação clínica.
Segundo o cirurgião-dentista Fábio Freire, da Clínica Renaissance, em Salvador, não existe uma abordagem única para esses pacientes. O planejamento deve levar em conta as condições de saúde, o nível de cooperação, as características individuais e a complexidade do procedimento.
“Começamos sempre pelo caminho mais simples e só avançamos se ele não for suficiente”, explica o especialista.
A preparação pode começar antes mesmo da consulta, com uma visita prévia ao consultório para conhecer a equipe e o ambiente. A medida pode ajudar a reduzir a ansiedade e facilitar a adaptação, especialmente entre pessoas com sensibilidade ao toque, dificuldades de comunicação ou experiências negativas anteriores com atendimento odontológico.
“O atendimento odontológico para esse público vai muito além da técnica. É preciso entender como aquele paciente se comunica, o que desencadeia medo ou resistência e qual estratégia oferece mais segurança”, destaca Fábio Freire.
Crianças, idosos e pessoas com diferentes níveis de dependência também podem necessitar de adaptações. Nesses casos, a participação de familiares e cuidadores contribui para identificar necessidades, compreender comportamentos e auxiliar no planejamento do tratamento.
Quando a anestesia geral pode ser necessária
A anestesia geral é uma das possibilidades para casos específicos, especialmente quando a complexidade do tratamento ou as condições do paciente dificultam a realização dos procedimentos por outras abordagens. A indicação depende de avaliação individualizada e deve considerar os riscos e benefícios para cada pessoa.
Antes da intervenção, a equipe avalia o histórico clínico, solicita os exames necessários e realiza a avaliação anestésica. Quando indicado, o planejamento também envolve o médico responsável pelo acompanhamento do paciente.
Algumas condições exigem atenção a fatores específicos. Em pessoas com Síndrome de Down, por exemplo, podem ser necessárias avaliações relacionadas às condições cardíacas e à região cervical. Pacientes com Alzheimer podem apresentar maior risco de confusão mental no pós-operatório, enquanto pessoas com autismo podem demandar cuidados adicionais relacionados à comunicação, à agitação e ao acesso venoso.
O planejamento busca reduzir riscos e, quando clinicamente adequado, concentrar diferentes procedimentos em uma única intervenção, evitando exposições repetidas à anestesia geral.
Tecnologia pode reduzir o número de intervenções
Extrações múltiplas, remoção de dentes inclusos, tratamentos odontológicos extensos, implantes, enxertos, remoção de cistos e lesões, drenagem de infecções e cirurgias maiores da face estão entre os procedimentos que podem exigir atendimento em ambiente hospitalar, conforme a avaliação clínica.
O planejamento digital em três dimensões e o uso de guias cirúrgicos também podem contribuir para maior precisão em determinados procedimentos. A escolha dos recursos depende das características do caso e dos objetivos do tratamento.
“Para esse grupo de pacientes, o ganho principal dessas tecnologias é resolver mais em menos cirurgias, reduzindo o número de vezes que o paciente precisa passar por anestesia geral”, afirma Fábio Freire.
A combinação entre acolhimento, planejamento individualizado, recursos tecnológicos e avaliação dos riscos é fundamental para ampliar as possibilidades de atendimento odontológico. Mais do que escolher uma técnica, a proposta é identificar a abordagem mais adequada para cada paciente, respeitando suas necessidades e priorizando a segurança em todas as etapas.

