Messi anuncia aposentadoria da Seleção Argentina

Aos 39 anos, craque argentino confirma que não vai mais defender a seleção após uma trajetória marcada por títulos e momentos históricos

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Lionel Messi anunciou nesta segunda-feira (31) sua aposentadoria da seleção argentina. Aos 39 anos, o camisa 10 comunicou a decisão por meio das redes sociais e colocou fim a uma trajetória de 21 anos defendendo a equipe principal da Argentina.

A decisão encerra uma das histórias mais marcantes do futebol mundial. Messi deixa a Albiceleste depois de disputar 207 partidas e marcar 125 gols, números que o colocam como o jogador com mais jogos e o maior artilheiro da história da seleção argentina.

Na publicação em que anunciou a despedida, Messi afirmou que a decisão foi dolorosa, mas que entende ter chegado o momento de abrir espaço para uma nova geração.

“Foi uma decisão que doeu e dói na alma, mas entendo que é o momento”, escreveu o argentino.

O atacante também destacou que sempre deu tudo pela camisa da seleção, inclusive durante o período em que os títulos ainda não haviam chegado.

Messi decidiu deixar a Argentina após final da Copa

Apesar de o anúncio ter sido feito somente nesta segunda-feira, Messi revelou que as palavras publicadas nas redes sociais haviam sido escritas no dia 21 de julho, apenas dois dias depois da final da Copa do Mundo de 2026.

Na decisão do Mundial, disputada em 19 de julho, a Argentina foi derrotada pela Espanha por 1 a 0 na prorrogação. A partida acabou se tornando a última de Messi pela seleção.

Depois de algumas semanas de reflexão, o camisa 10 decidiu tornar pública a decisão que já havia amadurecido após o Mundial.

A despedida acontece depois de Messi levar a Argentina a duas finais consecutivas de Copa do Mundo. Campeão no Catar, em 2022, o atacante esteve novamente na decisão quatro anos depois, mas desta vez terminou com o vice-campeonato.

Uma história que começou em 2005

Messi estreou pela seleção principal da Argentina em 2005, quando tinha apenas 18 anos. A primeira partida, porém, esteve longe de antecipar tudo o que viria pela frente.

Em um amistoso contra a Hungria, o jovem atacante entrou no segundo tempo e permaneceu poucos minutos em campo antes de ser expulso.

O episódio acabou se tornando apenas uma pequena passagem dentro de uma trajetória que atravessaria mais de duas décadas.

Ao longo dos anos seguintes, Messi assumiu cada vez mais protagonismo e se transformou no principal nome de uma geração argentina que esteve perto de conquistar grandes títulos em diferentes oportunidades.

Das derrotas em finais à primeira aposentadoria

A relação de Messi com a seleção argentina nem sempre foi marcada pelas conquistas.

Mesmo acumulando títulos e recordes pelo Barcelona, o atacante passou durante anos convivendo com questionamentos por não conseguir repetir com a Argentina o mesmo sucesso alcançado no futebol europeu.

Um dos momentos mais difíceis aconteceu na Copa do Mundo de 2014. Capitão e principal jogador da equipe, Messi levou a Argentina até a decisão, mas viu a Alemanha conquistar o título com uma vitória por 1 a 0 na prorrogação.

As frustrações continuaram nas duas temporadas seguintes.

A Argentina perdeu para o Chile as finais da Copa América de 2015 e da Copa América Centenário, em 2016. Na segunda decisão, Messi desperdiçou uma cobrança na disputa de pênaltis.

Após a partida, anunciou que não defenderia mais a seleção.

A aposentadoria, porém, durou pouco. Meses depois, Messi voltou atrás e iniciou uma nova etapa com a camisa argentina.

A decisão acabaria mudando completamente a maneira como sua trajetória pela seleção seria lembrada.

A redenção de Messi com a Argentina

O grande ponto de virada aconteceu em 2021.

Depois de anos de derrotas em decisões, Messi finalmente conquistou seu primeiro grande título pela seleção principal ao vencer a Copa América. A conquista ganhou ainda mais significado por acontecer no Maracanã, diante do Brasil, na final.

No ano seguinte, a Argentina venceu a Itália na Finalíssima e chegou embalada à Copa do Mundo do Catar.

Foi no Mundial de 2022 que Messi alcançou a principal conquista que faltava em sua carreira.

A Argentina derrotou a França nos pênaltis após empate por 3 a 3 em uma das finais mais marcantes da história das Copas. Messi levantou o troféu como capitão e encerrou um jejum argentino que durava desde 1986.

Dois anos depois, veio mais um título.

A Argentina conquistou novamente a Copa América em 2024, consolidando uma geração que conseguiu transformar um período de sucessivas frustrações em uma sequência histórica de conquistas.

Messi deixa a Argentina como recordista

Além dos títulos, Messi encerra a passagem pela seleção acumulando marcas históricas.

Foram 207 partidas e 125 gols pela equipe principal, tornando-se simultaneamente o jogador que mais vezes vestiu a camisa argentina e o maior artilheiro da história da seleção.

O camisa 10 também construiu uma trajetória singular em Copas do Mundo. Participou de seis edições do torneio e chegou a três finais, em 2014, 2022 e 2026.

Sua passagem pelos Mundiais terminou justamente na decisão contra a Espanha.

A longevidade também fez com que Messi atravessasse diferentes gerações da Argentina, jogando ao lado de nomes como Juan Román Riquelme, Javier Mascherano e Ángel Di María até dividir o campo, nos últimos anos, com jogadores de uma geração muito mais jovem.

De criticado a símbolo de uma geração

A aposentadoria também encerra uma transformação na própria relação de Messi com a seleção.

Durante parte considerável da carreira, o atacante conviveu com comparações com Diego Maradona e questionamentos sobre sua identificação com a equipe nacional.

A ausência de grandes títulos alimentava as críticas.

O cenário começou a mudar definitivamente com a Copa América de 2021 e ganhou outra dimensão com a conquista da Copa do Mundo de 2022.

Messi passou de jogador constantemente cobrado pelo que ainda não havia conquistado pela Argentina para capitão da equipe que devolveu ao país o título mundial depois de 36 anos.

A despedida acontece, portanto, em um contexto completamente diferente daquele vivido em 2016, quando anunciou pela primeira vez que deixaria a seleção após mais uma derrota em uma final.

Dez anos depois, Messi sai como campeão mundial, bicampeão da Copa América, recordista de partidas e maior artilheiro da história da Argentina.

Messi fala em espaço para nova geração

Na mensagem de despedida, Messi também indicou que sua decisão está relacionada ao início de um novo ciclo na seleção.

O atacante afirmou que existem jovens jogadores chegando e que eles merecem receber oportunidades.

A declaração coloca a Argentina diante de uma mudança que vai além da ausência de seu principal jogador. Depois de mais de duas décadas tendo Messi como referência técnica, a seleção terá de iniciar um novo ciclo sem o camisa 10.

Para Messi, o vínculo com a equipe continuará de outra maneira.

Ao se despedir, o argentino afirmou que passará a acompanhar a seleção como torcedor.

Assim termina uma trajetória iniciada em 2005 e que passou por expulsão na estreia, derrotas em finais, críticas, uma primeira aposentadoria, retorno, recordes e títulos.

Desta vez, diferentemente de 2016, Messi deixa a seleção argentina tendo conquistado o título que durante boa parte da carreira parecia faltar para completar sua história: uma Copa do Mundo.

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